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- 26Aug
O segredo de suas canchas
por Leonardo Aquino, especial para a revista ESPN
“Um ano ruim para o nosso futebol, mas bom para os nossos filmes.” Esse foi o espirituoso slogan de um festival de cinema argentino realizado no ano passado em Hollywood. A Argentina po-de não ter comemorado o tri mundial na África do Sul, mas festejou como uma conquista esportiva o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro dado a O Segredo de Seus Olhos este ano. Só que o futebol não ficou de fora dessa celebração. Uma das mais primorosas cenas da película de Juan José Campanella é um plano sequência de cinco minutos que começa com uma imagem aérea rumo a uma arquibancada lotada e mostra uma perseguição policial no meio da multidão que, eufórica, comemora um gol. E nada de Boca Juniors ou River Plate, os gigantes do país. A partida fictícia filmada é entre Racing e Huracán, que joga em casa no filme.
Se a mais aclamada obra do cinema argentino da safra recente fugiu de La Bombonera ou do Monumental de Núñez em um de seus momentos antológicos, não foi à toa. Canchas não faltam na cidade e nos partidos (como são chamados os municípios) que formam o conurbano de Buenos Aires. São dezenas. Do nanico Colegiales, que recebe até 6,5 mil pessoas no seu estádio, ao tradicionalíssimo River, cujo estádio comporta mais de 60 mil torcedores, todos jogam em sua casa. Nada de estádios de prefeitura.
Assim, um passeio esportivo na capital argentina passa obrigatoriamente por seus templos de concreto e grama. La Bombonera, o famoso campo do Boca Juniors, é o destino mais comum, tanto pela proximidade de outras atrações turísticas quanto pela mística. É o tal estádio que pulsa, movido pela torcida que não para de pular e cantar um minuto sequer. Mesmo os torcedores de outros clubes reverenciam a arena xeneize. Quem quiser pode até erguer uma das Libertadores vencidas pelo Boca e levar uma foto prontinha. Mas só se for na câmera de um dos guias do estádio, pagando um adicional.
Do outro lado da cidade, no nobre bairro de Núñez, fica o Monumental, do River Plate. Os millonarios se orgulham de ter o maior estádio do país e de ter recebido a final da Copa de 78. É também a tradicional casa da seleção albiceleste, que raramente faz um jogo como mandante em outro campo. Ainda é o local dos grandes shows de rock reali-zados em Buenos Aires, como Iron Maiden, -Oasis, Metallica, Rolling Stones e os ídolos locais do Soda Stereo.
Para conhecer o universo de Boca ou River, o turista tem uma nova opção: os museus. O primeiro a surgir foi o Museo de la Pasión Boquense, em 2001. Ele exibe os troféus mais importantes da história xeneize, mostra a evolução dos uniformes e tem um painel com fotos de cada um dos jogadores que vestiram a camisa do time. Também há monitores para ajudar a lembrar gols históricos, um cinema em 360 graus e itens de outros clubes que têm alguma relação com grandes momentos do time. Uma camisa que Pelé usou em um confronto entre Santos e Boca pela Libertadores, por exemplo. Desde 2006, uma estátua de bronze de Marado-na dá as boas-vindas ao visitante.
Para fazer frente ao rival, os millonarios inauguraram em 2009 o Museo River. A obra gigantesca levou três anos para ficar pronta e custou quase US$ 6 milhões. Um dos diferenciais do museu do River é a homenagem a La Máquina, timaço dos anos 40 que ganhou três títulos nacionais com a presença de craques como Muñoz, Lostau Labruna e Pedernera. Uma locomotiva em tamanho real abre a ala que tem painéis com os nomes de cada um dos jogadores e uma explicação do esquema tático do time.
A competição entre os dois rivais não deve parar por aí. Está em construção no centro de Buenos Aires um hotel temático do Boca Juniors. O local promete uma hospedagem cinco estrelas para os fanáticos pelo clube xeneize. Serviços como academia, spa, bar temático e 89 suítes. Além do mais, sócios do clube terão benefícios e descontos no hotel, que deve hospedar os jogadores quando estiverem em concentração. A previsão de entrega do empreendimento é o início de 2012. Não houve nenhuma iniciativa parecida do River para reagir a esse avanço mercadológico do rival. Pelo menos por enquanto.
Se a mais aclamada obra do cinema argentino da safra recente fugiu de La Bombonera ou do Monumental de Núñez em um de seus momentos antológicos, não foi à toa. Canchas não faltam na cidade e nos partidos (como são chamados os municípios) que formam o conurbano de Buenos Aires. São dezenas. Do nanico Colegiales, que recebe até 6,5 mil pessoas no seu estádio, ao tradicionalíssimo River, cujo estádio comporta mais de 60 mil torcedores, todos jogam em sua casa. Nada de estádios de prefeitura.
Assim, um passeio esportivo na capital argentina passa obrigatoriamente por seus templos de concreto e grama. La Bombonera, o famoso campo do Boca Juniors, é o destino mais comum, tanto pela proximidade de outras atrações turísticas quanto pela mística. É o tal estádio que pulsa, movido pela torcida que não para de pular e cantar um minuto sequer. Mesmo os torcedores de outros clubes reverenciam a arena xeneize. Quem quiser pode até erguer uma das Libertadores vencidas pelo Boca e levar uma foto prontinha. Mas só se for na câmera de um dos guias do estádio, pagando um adicional.
Do outro lado da cidade, no nobre bairro de Núñez, fica o Monumental, do River Plate. Os millonarios se orgulham de ter o maior estádio do país e de ter recebido a final da Copa de 78. É também a tradicional casa da seleção albiceleste, que raramente faz um jogo como mandante em outro campo. Ainda é o local dos grandes shows de rock reali-zados em Buenos Aires, como Iron Maiden, -Oasis, Metallica, Rolling Stones e os ídolos locais do Soda Stereo.
Para conhecer o universo de Boca ou River, o turista tem uma nova opção: os museus. O primeiro a surgir foi o Museo de la Pasión Boquense, em 2001. Ele exibe os troféus mais importantes da história xeneize, mostra a evolução dos uniformes e tem um painel com fotos de cada um dos jogadores que vestiram a camisa do time. Também há monitores para ajudar a lembrar gols históricos, um cinema em 360 graus e itens de outros clubes que têm alguma relação com grandes momentos do time. Uma camisa que Pelé usou em um confronto entre Santos e Boca pela Libertadores, por exemplo. Desde 2006, uma estátua de bronze de Marado-na dá as boas-vindas ao visitante.
Para fazer frente ao rival, os millonarios inauguraram em 2009 o Museo River. A obra gigantesca levou três anos para ficar pronta e custou quase US$ 6 milhões. Um dos diferenciais do museu do River é a homenagem a La Máquina, timaço dos anos 40 que ganhou três títulos nacionais com a presença de craques como Muñoz, Lostau Labruna e Pedernera. Uma locomotiva em tamanho real abre a ala que tem painéis com os nomes de cada um dos jogadores e uma explicação do esquema tático do time.
A competição entre os dois rivais não deve parar por aí. Está em construção no centro de Buenos Aires um hotel temático do Boca Juniors. O local promete uma hospedagem cinco estrelas para os fanáticos pelo clube xeneize. Serviços como academia, spa, bar temático e 89 suítes. Além do mais, sócios do clube terão benefícios e descontos no hotel, que deve hospedar os jogadores quando estiverem em concentração. A previsão de entrega do empreendimento é o início de 2012. Não houve nenhuma iniciativa parecida do River para reagir a esse avanço mercadológico do rival. Pelo menos por enquanto.
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