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- 20h02
- 31Aug
Um Brasileiro mais do que esquisito
por Roberto Porto, colunista do ESPN.com.br
Quais são os campeonatos europeus mais divulgados pela televisão? Não necessariamente na ordem, espanhol, francês, inglês, português, italiano e alemão. E qual a razão desses campeonatos serem tão disputados por clubes quase sempre ricos? Muito simples: o tamanho de cada um dos países. Querem ver? A Espanha tem apenas 506 mil quilômetros quadrados; a França, 552 mil; a Inglaterra (somando a Escócia), 244 mil; Portugal, 91 mil; Itália, 302 mil e, por fim, a Alemanha, após a união, que levou a capital para Berlim, 357 mil quilômetros quadrados.
Na Europa, a não ser nas competições internacionais, os clubes viajam muito pouco de um canto a outro, fazendo uma economia dos diabos, viajando muitas vezes de trem de uma cidade para outra. E no Brasil? Pois o Brasil, com um Campeonato Brasileiro disputado em turno e returno por 20 clubes, tem nada menos do que oito milhões e meio de quilômetros quadrados, ou seja, quatro vezes mais o tamanho dos países acima citados. E haja aviões, hotéis, concentrações e, mais recentemente, por causa da Copa do Mundo da África, jogos até no meio de semana. Como os clubes brasileiros podem lucrar viajando tanto?
Honestamente, não tenho a resposta. Sei apenas que a CBF tem muita grana e que os clubes nacionais não sobrevivem das rendas dos jogos, apelando sempre para as cotas de televisão. E fica a pergunta: como os clubes brasileiros poderão, através dos anos, manter elencos capazes de atrair uma boa quantidade de público?
É óbvio ululante – como diria Nélson Rodrigues – que os clubes da primeira divisão não percorrem todo esse Brasil, gigante pela própria natureza. Mas viajam demais, jogam em excesso e estão, com raras e honrosas exceções, devendo as calças ao imposto de renda, INSS, bancos e investidores particulares.
Será que a CBF – que já alterou o esquema para pontos corridos – não tem uma solução para esse monstruoso Campeonato Brasileiro? Presentear vagas na Libertadores e na Sul-Americana é pouco, muito pouco para nossos clubes. Daí a razão desse sobe e desce de times de grandes torcidas que às vezes frequentam a zona de rebaixamento.
Nosso futebol, com o modelo desse Campeonato Brasileiro, está tão empobrecido que negocia jogadores não apenas para a Europa. Os jogadores brasileiros estão espalhados pelo mundo, da Turquia ao Afeganistão, da Rússia aos Emirados Árabes.
Não é possível – o raciocínio é meu e gostaria da opinião dos leitores – que não seja possível organizar uma competição que reúna realmente os melhores clubes do Brasil, com menos viagens, gastos em hotéis e transporte nas cidades onde vão parar.
Acabamos de pagar um gorila (não apenas um mico) na Copa da África, com um time formado por jogadores brasileiros importados dos mais variados países do mundo. Quando será, pergunto, que teremos novamente uma Seleção Brasileira como a de 1970, toda ela formada por jogadores de clubes daqui mesmo?
E mais: se Fluminense e Corinthians dispararem na liderança, que torcedores dos clubes lá embaixo da colocação irão pagar ingresso para ver seus times do coração? Não sei não. Mas vejo com pessimismo o futuro do futebol brasileiro, logo agora que nos deram de presente a Copa do Mundo de 2014.
Certo ou errado?
Na Europa, a não ser nas competições internacionais, os clubes viajam muito pouco de um canto a outro, fazendo uma economia dos diabos, viajando muitas vezes de trem de uma cidade para outra. E no Brasil? Pois o Brasil, com um Campeonato Brasileiro disputado em turno e returno por 20 clubes, tem nada menos do que oito milhões e meio de quilômetros quadrados, ou seja, quatro vezes mais o tamanho dos países acima citados. E haja aviões, hotéis, concentrações e, mais recentemente, por causa da Copa do Mundo da África, jogos até no meio de semana. Como os clubes brasileiros podem lucrar viajando tanto?
Honestamente, não tenho a resposta. Sei apenas que a CBF tem muita grana e que os clubes nacionais não sobrevivem das rendas dos jogos, apelando sempre para as cotas de televisão. E fica a pergunta: como os clubes brasileiros poderão, através dos anos, manter elencos capazes de atrair uma boa quantidade de público?
É óbvio ululante – como diria Nélson Rodrigues – que os clubes da primeira divisão não percorrem todo esse Brasil, gigante pela própria natureza. Mas viajam demais, jogam em excesso e estão, com raras e honrosas exceções, devendo as calças ao imposto de renda, INSS, bancos e investidores particulares.
Será que a CBF – que já alterou o esquema para pontos corridos – não tem uma solução para esse monstruoso Campeonato Brasileiro? Presentear vagas na Libertadores e na Sul-Americana é pouco, muito pouco para nossos clubes. Daí a razão desse sobe e desce de times de grandes torcidas que às vezes frequentam a zona de rebaixamento.
Nosso futebol, com o modelo desse Campeonato Brasileiro, está tão empobrecido que negocia jogadores não apenas para a Europa. Os jogadores brasileiros estão espalhados pelo mundo, da Turquia ao Afeganistão, da Rússia aos Emirados Árabes.
Não é possível – o raciocínio é meu e gostaria da opinião dos leitores – que não seja possível organizar uma competição que reúna realmente os melhores clubes do Brasil, com menos viagens, gastos em hotéis e transporte nas cidades onde vão parar.
Acabamos de pagar um gorila (não apenas um mico) na Copa da África, com um time formado por jogadores brasileiros importados dos mais variados países do mundo. Quando será, pergunto, que teremos novamente uma Seleção Brasileira como a de 1970, toda ela formada por jogadores de clubes daqui mesmo?
E mais: se Fluminense e Corinthians dispararem na liderança, que torcedores dos clubes lá embaixo da colocação irão pagar ingresso para ver seus times do coração? Não sei não. Mas vejo com pessimismo o futuro do futebol brasileiro, logo agora que nos deram de presente a Copa do Mundo de 2014.
Certo ou errado?
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Página do Roberto Porto