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- 12h44
- 24Aug
Menos espaço para os craques
por Roberto Porto, colunista do ESPN.com.br
O clássico carioca entre Fluminense e Vasco marcou a despedida do anel inferior do Maracanã, que será remodelado para a Copa do Mundo de 2014. Construído para a Copa do Mundo de 1950, o estádio não mais será o maior do mundo em matéria de acomodações para torcedores. Não havia registros exatos na época, mas dizem que a final entre Brasil e Uruguai comportou mais de 200 mil espectadores, que quebraram muros e catracas para, infelizmente, assistirem à tragédia da perda do título pela seleção brasileira. Mas é certo que o recorde contabilizado de público no Maracanã é de 183 mil pessoas no Brasil e Paraguai de 1969, às vésperas do tri obtido no México.
Os jornais – principalmente os do Rio – vêm noticiando as reformas, a redução da capacidade do estádio, até com certa tristeza. Parece, não tenho certeza, que o Morumbi se tornará o maior do Brasil, pois os números às vezes são contraditórios. Mas há um detalhe que não está sendo explorado: o gramado. Até hoje, o gramado do Maracanã mede exatamente 110 metros por 75, totalizando 8.250 metros quadrados. Mas a FIFA – com sua autoridade absoluta e incontestável – ordenou que o campo do Maracanã passe a ter apenas 105 metros por 68, o que dá 7.140 metros quadrados. A diferença, em números redondos, ficará em 1.110 metros quadrados, área de um belíssimo e luxuoso apartamento em Ipanema – bairro nobre da Zona Sul carioca.
O que isso significa? Significa que os jogadores terão menos espaço para organizarem-se em campo, facilitando ainda mais as teorias defensivas que estão há tempos tomando conta do futebol moderno. Gramado diminuído e preparo físico cada vez mais apurado estão alterando de modo significativo o esporte da bola que fascinou gerações e mais gerações. É claro que hoje em dia, numa adaptação elogiável, os clubes estão jogando com apenas três zagueiros fixos, o que libera os laterais para tentarem o ataque. Mas isso foi um tiro mortal em ponteiros que fizeram fama, como Garrincha, Julinho Botelho, Cláudio, Canhoteiro e tantos outros. Por mais que se apliquem, os laterais não têm a ginga dos velhos extremas.
O Engenhão, no Rio, já tem as novas medidas do gramado e todos – jogadores, técnicos e jornalistas – lamentam a exigüidade do espaço. Mas não há solução para o problema. A não ser que os estrategistas prefiram treinar suas equipes no campo do Bangu, em Moça Bonita. Até pouco tempo, o gramado do Bangu media (acreditem) 120 metros por 90, o que dá um total de 10.800 metros quadrados. Mas de que adiantará treinar em Bangu e jogar no Engenhão e no novo Maracanã? Nada, rigorosamente nada.
Particularmente – os leitores podem dar suas opiniões – mas acho que o futebol caminha para um difícil terreno (sem trocadilho). Jogadores como Gérson e Rivelino – para não falar de outros – jamais teriam espaço para passes em profundidade, pois dona FIFA quer o futebol, digamos assim, amontoado.
Como torcedor – ainda não abalizado, claro – vejo futebol desde a década de 50. E lamento a exigência da FIFA. E só posso explicar essa diminuição dos gramados pelos exíguos espaços dos estádios europeus, erguidos em áreas extremamente valorizadas. Que o público que irá comparecer, em seus estados, à Copa de 2014 comecem, desde já, a imaginar o novo futebol praticado quase que em campinhos de várzeas.
Os jornais – principalmente os do Rio – vêm noticiando as reformas, a redução da capacidade do estádio, até com certa tristeza. Parece, não tenho certeza, que o Morumbi se tornará o maior do Brasil, pois os números às vezes são contraditórios. Mas há um detalhe que não está sendo explorado: o gramado. Até hoje, o gramado do Maracanã mede exatamente 110 metros por 75, totalizando 8.250 metros quadrados. Mas a FIFA – com sua autoridade absoluta e incontestável – ordenou que o campo do Maracanã passe a ter apenas 105 metros por 68, o que dá 7.140 metros quadrados. A diferença, em números redondos, ficará em 1.110 metros quadrados, área de um belíssimo e luxuoso apartamento em Ipanema – bairro nobre da Zona Sul carioca.
O que isso significa? Significa que os jogadores terão menos espaço para organizarem-se em campo, facilitando ainda mais as teorias defensivas que estão há tempos tomando conta do futebol moderno. Gramado diminuído e preparo físico cada vez mais apurado estão alterando de modo significativo o esporte da bola que fascinou gerações e mais gerações. É claro que hoje em dia, numa adaptação elogiável, os clubes estão jogando com apenas três zagueiros fixos, o que libera os laterais para tentarem o ataque. Mas isso foi um tiro mortal em ponteiros que fizeram fama, como Garrincha, Julinho Botelho, Cláudio, Canhoteiro e tantos outros. Por mais que se apliquem, os laterais não têm a ginga dos velhos extremas.
O Engenhão, no Rio, já tem as novas medidas do gramado e todos – jogadores, técnicos e jornalistas – lamentam a exigüidade do espaço. Mas não há solução para o problema. A não ser que os estrategistas prefiram treinar suas equipes no campo do Bangu, em Moça Bonita. Até pouco tempo, o gramado do Bangu media (acreditem) 120 metros por 90, o que dá um total de 10.800 metros quadrados. Mas de que adiantará treinar em Bangu e jogar no Engenhão e no novo Maracanã? Nada, rigorosamente nada.
Particularmente – os leitores podem dar suas opiniões – mas acho que o futebol caminha para um difícil terreno (sem trocadilho). Jogadores como Gérson e Rivelino – para não falar de outros – jamais teriam espaço para passes em profundidade, pois dona FIFA quer o futebol, digamos assim, amontoado.
Como torcedor – ainda não abalizado, claro – vejo futebol desde a década de 50. E lamento a exigência da FIFA. E só posso explicar essa diminuição dos gramados pelos exíguos espaços dos estádios europeus, erguidos em áreas extremamente valorizadas. Que o público que irá comparecer, em seus estados, à Copa de 2014 comecem, desde já, a imaginar o novo futebol praticado quase que em campinhos de várzeas.
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/robertoporto
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/robertoporto
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Página do Roberto Porto