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Paulo Vinícius Coelho
As três perguntas fariam todo o sentido, se houvesse proposta oficial. Mas, segundo o agente Wágner Ribeiro, diferente do que diz o São Paulo, o Chelsea não chegou a formalizar proposta oficial por Lucas, porque conhece um detalhe da negociação:
"O Lucas não quer ir. O Lucas não quer sair do Brasil antes da Copa do Mundo de 2014. Eu estive na casa do Roman Abramovich, com o empresário israelense Pini Zahavi, que é meu sócio. Se eu dissesse que o preço é 40 milhões de euros, ele pagaria. Mas não fez proposta, porque sabe que o Lucas quer ficar no Brasil até a Copa do Mundo de 2014", afirmou o agente.
Segundo Ribeiro, o único clube a formalizar uma proposta por Lucas foi a Internazionale, na casa do 25 milhões de euros. A Inter não confirma a oferta. No São Paulo, a informação é de que houve contato, mas não uma proposta oficial da Internazionale.
A permanência provável de Lucas até o Mundial pode produzir debate semelhante ao que tem havido sobre Neymar.
Do ponto de vista de seu crescimento profissional, é melhor que fique no Brasil ou vá para a Europa já? (você também está convidado a responder esta questão."
Para a seleção brasileira, para o amadurecimento de Lucas, é claro que deveria jogar na Europa com os melhores do mundo.
Para o futebol brasileiro, é melhor que ele fique. Para o crescimento do Campeonato Brasileiro, desde que exista um projeto para seu crescimento. Verdade seja dita: esse projeto não existe.
Mas a palavra do presidente do Palmeiras é diferente:
"O problema é o valor. São R$ 4 milhões, muito dinheiro e não temos como fazer o negócio."
Questiono se o negócio não vai sair ou se não saiu por enquanto.
Arnaldo Tirone continua:
"Não, não vai sair!"
Segundo o gerente de futebol, César Sampaio, a prioridade não é um jogador de lado de campo, característica de Thiago Ribeiro. O ideal é um centroavante. E, por ora, a ideia é esperar o desempenho de Betinho.
O que incomoda alguns dirigentes -- e vários aspones -- são declarações recentes, como os elogios aos jogadores negociados pelo São Paulo, no início do ano, campeões estaduais em maio. O lateral Juan, o atacante Dagoberto, o meia Cléber Santana.
Daí a dizer que Leão está perdendo o emprego vai uma distância.
É claro que cada um trabalha com a informação que possui, paga a própria conta pelo que diz e se confirma -- ou não se confirma. Aqui também se pagará se amanhã ou depois se a realidade for diferente. Mas nos útlimos dois anos, já se leu que Dunga tinha fechado com o Tricolor e que Dorival Júnior estava contratado. Não pisaram no Morumbi.
Se Leão pode cair?
Se o Goiás meter 4 x 0 no São Paulo e eliminá-lo da Copa do Brasil (em teoria, nem assim, mas... ).
Compare com o Corinthians. Tite está seguro, mas e se o Vasco enfiar 4 x 0 no Pacaembu amanhã? Técnico de clube brasileiro está sempre a perigo, principalmente quando disputa jogos de mata-mata, em que seu time pode morrer.
A situação de Leão é essa.
Se o São Paulo avançar na Copa do Brasil ou se cair dignamente, Leão deve permanecer no Morumbi.
Se eventualmente houver mudança, não há técnicos disponíveis no mercado.
Cuca fala frequentemente com dirigentes do tricolor, troca ideias sobre jogadores, mas não deve sair do Atlético Mineiro agora. Também houve problemas de vestiário em sua primeira passagem pelo Morumbi, em 2004. Sua chegada seria cercada de desconfiança dentro do próprio vestiário.
"Estou no São Paulo há dez anos e nunca ouvi o nome do Cuca em nenhuma mudança de treinador", jura um conselheiro de Juvenal Juvêncio.
A lógica é a permanência de Leão, como disse o drietor de futebol Adalberto Baptista à rádio Estadão ESPN ontem à tarde.
Não se corneta campeão no dia de sua conquista. É de se respeitar o merecimento de quem trabalhou para alcançar seu objetivo.
Mas se você me obrigar um dos dois motivos para cornetar, essa razão é o dinheiro russo.
O futebol, não.
O Chelsea encontrou sua maneira de vencer times poderosos, mais ofensivos e criativos.
Ano passado, o Barcelona parecia ser a tendência do futebol mundial. Marcação pressão, posse de bola, revelação dos principais jogadores, dinheiro planejado para contratações pontuais.
O Barcelona continua sendo um modelo a ser copiado, mas não o único, como mostrou o Chelsea.
É o jeito mais legal de se montar um time, maneira que se asssemelha à do Manchester United e do Bayern de Munique. Mais tímidos nas revelações, Manchester e Bayern são imperialistas de seus países, mas contratam pontualmente, descobrem jogadores jovens, mesclam contratações bombásticas com outras pontuais.
O Chelsea, não.
E aí voltamos a Abramovich. Em 2004, seis meses depois de comprar o clube, Roman Abramovich foi a Munique assistir a Bayern 1 x 1 Real Madrid, oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Queria ver o Real, que eliminou o Bayern, seu modelo para seguir no Chelsea. Os galáticos ganhavam tudo até então. Não ganharam mais nada na Europa a partir daí. Nem o Chelsea, da grana.
Tinha de ser em Munique, palco da cópia, em 2004, que o russo veria seu time levantar a taça mais cobiçada do futebol atual. E jogando de um jeito que parecia surrados dos campos modernos: num ferrolho.
Não importa se é bonito ou feio. O Chelsea foi exato ao diminuir a distância entre suas duas linhas de quatro homens, obrigar o adversário a construir o jogo por seus volantes, posicionar-se para contra-atacar, desde que Di Matteo assumiu o cargo.
Foi exato nas cobranças de faltas e escanteios. Quando o contra-ataque não saía, a bola parada resolvia.
Dos 11 gols na Liga dos Campeões desde que Di Matteo assumiu, cinco foram de contra-ataque, quatro de bola parada.
Incluindo aí a cabeçada mortal de Didier Drogba, homem da partida no Allianz Arena.
O Chelsea é o campeão do pragmatismo, como definiu seu treinador.
Também se joga futebol assim.
O duelo dos próximos anos é entre a posse de bola, marcação pressão e velocidade, estilo do Barça, vencedor nas Ligas dos Campeões de 2009 e 2011.
E o pragmatismo, que ganhou em 2010 com a Internazionale, em 2012 pelo Chelsea.
Um dos motivos dessa alegria foi a camisa enviada a Robben por Romário, seu ídolo de infância.
A matéria produzida pelo repórter André Plihal começou com a equipe dos canais ESPN em São Paulo, ouvindo Romário sobre o fato de Arjen Robben o ter como ídolo desde a infância.
Romário gravou o depoimento e o DVD seguiu, junto com uma camisa da seleção brasileira autografada por Romário, com uma mensagem em holandês. Robben sorriu. (AINDA NÃO ASSISTIU À REPORTAGEM? CLIQUE AQUI).
Eis a primeira novidade.
Luiz Gustavo diz não ter visto o craque holandês tão feliz em todo o seu período de convivência.
"Si, estoy muy contento", disse Robben, lembrando a primeira partida de futebol a que foi assistir no estádio. Dia 9 de junho de 1991, penúltima rodada do Campeonato Holandês vencido pelo PSV de Romário, vitória do Groningen, terceiro colocado, por 4 x 1. Robben nasceu em Bedum, cidade da região metropolitana de Groningen, mas torcia pelo PSV.
Como todos os amantes da equipe de Eindhoven, amava Romário.
Fábio Bolla contou que, antes de ver a matéria, o grupo de jogadores saiu do vestiário após uma longa reunião com a comissão técnica brincando e rindo como não se viu no último mês em Munique.
A felicidade pode ajudar na decisão contra o Chelsea? Talvez.
Pelos depoimentos de Luiz Gustavo e Fábio Bolla, a vida de Arjen Robben é que passou por uma transformação desde o presente enviado por Romário, na quinta-feira.
A balela de que o Santos aprendeu com o Barcelona e agora joga como o time espanhol cai por terrra. O Santos cadencia quanto pode e acelera quando Neymar arrisca, exatamente como fazia antes de levar o chocolate de Yokohama.
A situação para o jogo de volta não é confortável, mas em casa é possível imaginar Neymar mais decisivo para tentar fazer 2 x 0 e avançar à segunda semifinal consecutiva.
O Flu tem mais dificuldade, pela qualidade do Boca Juniors. Vacilo no gol, quando Edinho permitiu a Cvitanich buscar a bola na intermediária e fazer o passe para Moche marcar no setor do zagueiro Gum.
Mas o time de Abel pode questionar a arbitragem do colombiano José Buitrago, o mesmo de quem o Corinthians reclamou semana retrasada contra o Emelec.
A expulsão de Carlinhos foi rigorosa e houve pênalti num toque de mão na área do Boca no final da primeira etapa. Depois da expulsão, o Fluminense foi valente para segurar a derrota magra, teve até chance de empatar no final do jogo. Mas terá dificuldade na volta. Fazer 2 x 0 no Boca não é simples.
"Eu tinha mesmo essa preocupação, mas é preciso notar que isso já melhorou nos dois jogos contra o Lanús", disse.
Explica-se a presença de Nílton, como primeiro volante.
Rômulo, como segundo homem, saiu para marcar Paulinho.
O Corinthians é um quando Paulinho joga bem, é outro, mais fraco, quando Paulinho não joga.
Juninho cuidou de Ralf e o meio-de-campo do Corinthians sentiu.
Essa é a grande notícia para os vascaínos.
A partida de volta, no Pacaembu, terá o Corinthians com obrigação de apresentar um time mais criativo e isso vai depender de Alex, Paulinhol e Danilo aparecerem.
A missão do Vasco será a mesma: anular os três homens de criação de Tite.
Foi o penúltimo jogo de Robben pelo Chelsea, clube que defendeu entre 2004 e 2007.
Dezoito dias depois, Robben fez sua última partida pelo clube londrina, na final da Copa da Inglaterra contra o Manchester United. Vitória por 1 x 0. Robben entrou no intervalo da partida no lugar de Joe Cole e foi substituído por Ashley Cole aos 3 do segundo tempo da prorrogação.
Não precisou cobrar pênaltis porque deixou o campo e porque Drogba fez o gol da vitória oito minutos após o holandês deixar o gramado.
Mas pênaltis continuam sendo um problema para Arjen Robben. Ele cobrou muito bem durante a semifinal contra o Real Madrid e fez o gol que levou à prorrogação.
Mas não foi escalado por Jupp Heynckes para cobrar na disputa por penalidades máximas. Cobraram Alaba, Kroos, Mario Gomez, Lahm e Schweinsteiger. Duas semanas antes, no jogo do segundo turno do Campeonato Alemão contra o Borussia Dortmund, o Bayern perdia para o Borussia Dortmund por 1 x 0, gol de Lewandowski. Poderia ter empatado a partida.
Mas Robben perdeu pênalti.
Roth vai ganhar um pouco menos do que recebia no Grêmio, seu último clube. Mas receberá mais do que Vágner Mancini tinha como salário em sua passagem de oito meses pela Toca da Raposa.
É a terceira vez que Roth trabalha em Belo Horizonte. Ele foi treinador do Atlético Mineiro nos Brasileiros de 2003 e 2009.
São as duas melhores campanhas do Galo nos Campeonatos Brasileiros de pontos corridos. Em ambas, o Atlético terminou em sétimo lugar. Em ambas, Roth deixou o cargo antes do final do contrato.
Em 2009, liderou oito rodadas como treinador do Atlético.

Crédito da imagem: Agência Estado
O livro Anjos Brancos, do jornalista John Carlin, conta a história do Real Madrid dos Galáticos, sua formação, suas histórias, sucessos e fracassos. Numa das passagens, fala de Roman Abramovich. O magnata russo comprou o Chelsea em 2003 e uma de suas primeiras viagens de Champions League foi a Munique para ver e imitar o Real Madrid. Aconteceu nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões da temporada 2003/04, no empate por 1 x 1 entre Bayern e Real -- gols de Roy Makaay e Roberto Carlos, de falta, num peru de Oliver Kahn...
Abramovic queria formar o time comprador. De 2004 para cá, nem o Real Madrid, maior comprador da época, nem o Chelsea, principal comprador dali em diante, ganhou a Liga dos Campeões.
O Barcelona, ganhador do ano passado e de 2009, é formador. Ganhou as duas ligas com sete, às vezes oito titulares formados em casa.
O Bayern, rival do Chelsea no próximo sábado, tem cinco titulares das semifinais formados em casa -- Schweinsteiger, Alaba, Badstuber e mais Kroos e Lahm, emprestados ao Bayer Leverkusen e Stuttgart (ou em sistema de co-propriedade) para depois voltar.
Formar tem sido melhor.
Mas o Chelsea chega a Munique, onde Abramovic foi ver seu clube modelo, em condição de conquistar sua primeira Liga dos Campeões sem nenhum jogador formado em casa.
Pode desmentir os anos recentes, de Manchester United, Barcelona e Bayern.
O Manchester United forma, compra revelações -- Cristiano Ronaldo não era jogador formado quando se juntou ao clube -- às vezes jogadores consagrados.
A Inter, campeã em 2010, está mais na linha dos compradores, mas não como os Galáticos do Real Madrid ou como o Chelsea.
Sem dúvida a melhor receita é a mescla das duas escolas.
Mas entre uma e outra coisa, vale sempre investir na formação.
Você concorda?
Paulo Vinicius Coelho, o PVC, é jornalista desde os 18 anos. Foi repórter da revista PLACAR, repórter, editor e colunista do jornal O Estado de S.Paulo e desde 2000 é comentarista dos canais ESPN. Cobriu as Copas de 1994, 1998, 2006 e 2010 e tem mais tempo de profissão do que tinha de vida, quando começou a trabalhar.