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- 01Jan
Em 2011, pôquer ganhou espaço no Brasil, mas viveu drama da Black Friday nos EUA
por ESPN.com.br
Os fãs do pôquer no Brasil tiveram diversos motivos para se alegrar no ano que terminou. Avanços importantes ocorreram no reconhecimento da modalidade enquanto jogo de habilidade - e não um jogo de azar (que depende exclusivamente ou principalmente da sorte), que é crime no Brasil -, principal reivindicação dos praticantes. Além disso, vários políticos se manifestaram a favor do esporte em 2011.
Em agosto, um laudo emitido pelo Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou que o estilo Texas Hold'em, o mais popular, "tem como requisito preponderante e indispensável a habilidade". Com esta decisão - a segunda favorável do órgão, que havia se manifestado de maneira semelhante em 2006 - , a Confederação Brasileira de Texas Hold'em (CBTH) já conta nove documentos favoráveis à prática do pôquer.
Em fevereiro, o ex-secretário de Esportes, Lazer e Recreação da prefeitura de São Paulo, Walter Feldman (que atualmente ocupa a Comissão de Procedimentos Administrativos da capital paulista, que visa preparar a cidade para a Copa), afirmou durante a abertura do Latin American Poker Tour ser favorável à inclusão do pôquer na grade curricular da escolas pelos benefícios que poderia proporcionar aos alunos.
"Infelizmente, o esporte é pouco explorado na educação. Não só os esportes mais conhecidos, físicos. Assim como outros esportes da mente, o pôquer poderia fazer parte da grade curricular das crianças, já que é um esporte de habilidade mental", disse Feldman, cuja ideia acabou sofrendo resistência posteriormente. Os críticos argumentam que tal iniciativa poderia facilitar o contato de jovens com o vício em apostas.
Outro político que defendeu a modalidade enquanto um jogo de habilidade foi o deputado federal Rubens Bueno, do PPS-PR. O projeto de lei 57/2011, que busca proibir "a exploração de quaisquer modalidades de jogos de azar por meio de transmissão de dados... dentro do território nacional" (apresentado em fevereiro por Luiz Carlos Hauly, do PSDB-PR) não deixava claro se o pôquer seria incluso no rol de jogos vedados e previa a exceção apenas das loterias federais e estaduais. Bueno, porém, sugeriu uma emenda que também exclui que jogos como xadrez e pôquer da proibição.
"Esses (gamão, o xadrez e o pôquer), é importante enfatizar, são jogos que diferem bastante do objetivo da proposição, visto que envolvem aspectos da habilidade de cada participante", justificou Bueno na sugestão de emenda, que pode ser aprovada, rejeitada ou aprovada em partes. Atualmente, o projeto aguarda parecer da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ser votado na casa e ir ao Senado.
Black Friday - Se obteve importantes vitórias no Brasil no último ano, nos Estados Unidos o pôquer viveu um ano problemático, principalmente após o Black Friday, como ficou conhecida a operação realizada pelo governo americano que fechou alguns dos maiores sites de pôquer online, como Poker Stars, Full Tilt Poker e Absolute Poker, por causa de esquemas de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que teriam movimentado 3 bilhões de dólares. Além da suspensão dos domínios - que ficaram inacessíveis por um tempo e depois retornaram -, diversos jogadores dos Estados Unidos tiveram congeladas as suas contas nestes sites.
Diversos jogadores famosos, como Howard Lederer, Phil Ivey e Chris Ferguson - que, juntos, acumulam um título mundial, quinze braceletes da World Series Of Poker, três conquistas no World Poker Tour e milhões de dólares em premiações -, foram acusados de estarem envolvidos nestes esquemas. Segundo o processo, Lederer teria recebido aproximadamente 37 milhões de dólares em distribuição e mais 4 milhões de dólares como porcentagem nos lucros; Chris Ferguson, cerca de 25 milhões em distribuição; e Phil Ivey teria ganho 40 milhões com o esquema.
A decepção atingiu em cheio a comunidade do pôquer também porque os jogadores inspiravam respeito e confiança. No teaser do filme "All in: the poker movie" (documentário que busca mostrar a força que o esporte vem alcançando nos Estados Unidos) divulgado antes do Black Friday, por exemplo, Howard Lederer fala (por volta dos 26 segundos) que "heróis do pôquer não trapaceiam". Veja aqui.
O escândalo, porém, não parece ter afetado a popularidade do jogo. No WSOP, principal evento da modalidade, houve um aumento de 3,7% no número de inscritos em relação a 2010, alcançando 73 mil participantes.
Em agosto, um laudo emitido pelo Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou que o estilo Texas Hold'em, o mais popular, "tem como requisito preponderante e indispensável a habilidade". Com esta decisão - a segunda favorável do órgão, que havia se manifestado de maneira semelhante em 2006 - , a Confederação Brasileira de Texas Hold'em (CBTH) já conta nove documentos favoráveis à prática do pôquer.
Em fevereiro, o ex-secretário de Esportes, Lazer e Recreação da prefeitura de São Paulo, Walter Feldman (que atualmente ocupa a Comissão de Procedimentos Administrativos da capital paulista, que visa preparar a cidade para a Copa), afirmou durante a abertura do Latin American Poker Tour ser favorável à inclusão do pôquer na grade curricular da escolas pelos benefícios que poderia proporcionar aos alunos.
"Infelizmente, o esporte é pouco explorado na educação. Não só os esportes mais conhecidos, físicos. Assim como outros esportes da mente, o pôquer poderia fazer parte da grade curricular das crianças, já que é um esporte de habilidade mental", disse Feldman, cuja ideia acabou sofrendo resistência posteriormente. Os críticos argumentam que tal iniciativa poderia facilitar o contato de jovens com o vício em apostas.
Outro político que defendeu a modalidade enquanto um jogo de habilidade foi o deputado federal Rubens Bueno, do PPS-PR. O projeto de lei 57/2011, que busca proibir "a exploração de quaisquer modalidades de jogos de azar por meio de transmissão de dados... dentro do território nacional" (apresentado em fevereiro por Luiz Carlos Hauly, do PSDB-PR) não deixava claro se o pôquer seria incluso no rol de jogos vedados e previa a exceção apenas das loterias federais e estaduais. Bueno, porém, sugeriu uma emenda que também exclui que jogos como xadrez e pôquer da proibição.
"Esses (gamão, o xadrez e o pôquer), é importante enfatizar, são jogos que diferem bastante do objetivo da proposição, visto que envolvem aspectos da habilidade de cada participante", justificou Bueno na sugestão de emenda, que pode ser aprovada, rejeitada ou aprovada em partes. Atualmente, o projeto aguarda parecer da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ser votado na casa e ir ao Senado.
Black Friday - Se obteve importantes vitórias no Brasil no último ano, nos Estados Unidos o pôquer viveu um ano problemático, principalmente após o Black Friday, como ficou conhecida a operação realizada pelo governo americano que fechou alguns dos maiores sites de pôquer online, como Poker Stars, Full Tilt Poker e Absolute Poker, por causa de esquemas de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que teriam movimentado 3 bilhões de dólares. Além da suspensão dos domínios - que ficaram inacessíveis por um tempo e depois retornaram -, diversos jogadores dos Estados Unidos tiveram congeladas as suas contas nestes sites.
Diversos jogadores famosos, como Howard Lederer, Phil Ivey e Chris Ferguson - que, juntos, acumulam um título mundial, quinze braceletes da World Series Of Poker, três conquistas no World Poker Tour e milhões de dólares em premiações -, foram acusados de estarem envolvidos nestes esquemas. Segundo o processo, Lederer teria recebido aproximadamente 37 milhões de dólares em distribuição e mais 4 milhões de dólares como porcentagem nos lucros; Chris Ferguson, cerca de 25 milhões em distribuição; e Phil Ivey teria ganho 40 milhões com o esquema.
A decepção atingiu em cheio a comunidade do pôquer também porque os jogadores inspiravam respeito e confiança. No teaser do filme "All in: the poker movie" (documentário que busca mostrar a força que o esporte vem alcançando nos Estados Unidos) divulgado antes do Black Friday, por exemplo, Howard Lederer fala (por volta dos 26 segundos) que "heróis do pôquer não trapaceiam". Veja aqui.
O escândalo, porém, não parece ter afetado a popularidade do jogo. No WSOP, principal evento da modalidade, houve um aumento de 3,7% no número de inscritos em relação a 2010, alcançando 73 mil participantes.
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