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Playoffs da NBA: Pacers x Heat, às 21h
Mauro Cezar Pereira
Tive a honra de comentar mais uma final da Uefa Champions League no estádio. E desta vez ela foi ainda maior, ao lado do Amigão Paulo Soares, com sua narração épica para um momento histórico. Londres, a cidade onde mais se respira futebol, enfim tem um campeão europeu no esporte rei.
O Chelsea com seus 107 anos de história e uma legião de torcedores que, a cada jogo, ocupam todos os cerca de 41 mil lugares de Stamford Bridge, o estádio dos Blues. Algo que já acontecia frequentemente mesmo antes da chegada dos do russo Roman Abramovich, que se tornou dono do clube em 2003.
O objetivo deste post é celebrar mais um grande momento do futebol, uma história escrita por monstros como Drogba e Cech, um triunfo com a marca de Lampard, Mata e outros heróis do time azul. Oportunamente, com mais calma, com mais tempo, nos aprofundaremos no assunto.
O Chelsea não seria campeão sem o dinheiro de Roman Abramovich. A relação do clube inglês com o russo é diferente das de Botafogo e Emil Pinheiro a partir da década de 1980, Palmeiras e Parmalat nos anos 1990, Fluminense e Unimed até hoje, Corinthians e Kia em 2005.
Mas nenhum deles ganhariam os títulos que arrerbataram sem o aporte financeiro desses "parceiros", "patrocinadores" "mecenas", etc. Se as conquistas dessas equipes foram exaltadas, por que não fazer o mesmo com a Champions League dos Blues?
Debater sobre a entrada dessa grana toda nos times do Brasil e do exterior é válido e necessário, mas agora é hora de enaltecer o futebol, obviamente superior a tudo isso.
Por enquanto, Blue is the colour e Paulo Soares é a voz marcante do rádio esportivo que a Estadão/ESPN levou aos ouvintes pelo mundo neste grande dia de futebol. Confira no vídeo abaixo as imagens e os momentos decisivos do triunfo do Chelsea sobre o Bayern, nos pênaltis, em Munique, com Amigão e Flávio Ortega. Um grande momento. Emocionante!
Paulo Soares narrou da Allianz Arena, em Munique, o momento decisivo
Veja a estrutura montada na cidade da decisão para as transmissões dos programas dos canais ESPN, com um estúdio perto do estádio que receberá Bayern Munique x Chelsea.
Terraço de prédio vizinho ao estádio recebe o estúdio dos canais ESPN
O presidente do Bayern Munique, Uli Hoeness, criticou duramente o dono do Chelsea, Roman Abramovich, estabelecendo um choque entre os comandantes dos dois times envolvidos na decisão da Uefa Champions League. Para o ex-jogador, o milionário russo nada mais é do que um "mafioso do petróleo" que o deixa revoltado toda vez que coloca gasolina no carro.
Abrmaovich comprou o Chelsea em 2003, já investiu em jogadores 896 milhões de euros no clube formando elencos poderosos e inseriu os Blues entre os principais candidatos aos títulos dos certames que disputa. O sucesso dessa empreitada poderá alcançar o ápice nesta final de Liga dos Campeões.
Uli Hoeness, de gravata vermelha, com Jupp Heynckes, técnico do Bayern Munique
Na Alemanha os clubes de futebol seguem regras mais rígidas e são obrigados a manter balanços financeiros equilibrados. Modelo bem diferente do, digamos, liberal, tolerante sisema inglês onde praticamente basta chegar com o dinheiro, comprar um clube e sair por aí. E nesse formato, o Bayern é de fato lucrativo, atua no azul, cor do Chelsea, sempre no vermelho, cor do time germânico.
A implementação das regras de responsabilidade financeira da Uefa, o chamado fair-play financeiro, deverá obrigar os clubes a reduzirem seu endividamento. Caso não consigam até 2014-15, poderão ser impedidos de participar dos torneios internacionais. Perigo para o time de Roman Abramovich. Boas perspectivas técnicas para os times da Alemanha na visão de Hoeness.
Abramovich, 45 anos, com a namorada russa Daria "Dasha" Zhukova, 30
Mas o Bayern é odiado em toda a Alemanha por não pensar duas vezes ao tirar jogadores de seus rivais domésticos. Uso o maior poderio econômico e em geral também técnico. Isso basta para que atletas como o goleiro Neuer, semi-finalista da Champions passada pelo Schalke 04, corram para o time de Munique sem constrangimentos, independentemente da enorme rivalidade entre eles.
Alcançar o equilíbrio financeiro como o do Bayern com as próprias pernas é quase impossível da maneira como são administrados os clubes brasileiros. E você, o que diria se o seu time fosse comprado por um Abramovich desses? Acharia bom? Ficaria feliz com um festival de contratações, mesmo vendo o clube nas mãos de um homem? Ou prefere que as coisas sigam como estão?
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Veja comentário de Mauro Cezar!
A discussão sobre no uso da tecnologia no futebol é grande e as opiniões se distribuem pelos radicalmente contra ou a favor e aqueles que fazem ressalvas, entre os quais me incluo. Há lances nos quais mesmo com o recurso da imagem, do replay, não existe certeza sobre o que de fato aconteceu. Há situações em que a TV aumenta a dúvida até.
O Chelsea, que sábado decidirá a Liga dos Campeões contra o Bayern Munique, reclama até hoje da desclassificação nas semifinais de 2005, diante do Liverpool. Após superar o próprio adversário alemão, a equipe londrina cruzou com os rivais ingleses de vermelho. Em Stamford Bridge, empate em 0 a 0, no Anfield Road, 1 a 0 para os Reds, gol (?) de Luís Garcia.
Até hoje não sabemos e provavelmente jamais saberemos se Gallas tirou a bola antes ou depois de a mesma ultrapassar completamente a chamada linha fatal. E aquele não foi o único lance polêmico da história do futebol que nem mesmo todas as câmeras de TV conseguiram decifrar.
Gallas tira a bola que ia entrando: ultrapassou a linha ou não? Não se sabe...
Mas no Brasil, mesmo que de maneira informal, vive-se há alguns anos em meio a uma espécie de "apito eletrônico virtual extra-oficial". Estamos nos referindo ao "tira-teima" da TV Globo. É evidente que trata-se de recurso que enriquece a transmissão, mas daí a elegê-lo como infalível, vai uma boa distância. Não concordo com os que o tratam como absoluto.Não estou insinuando que o "tira-teima" é manipulado para este ou aquele lado, vale frisar aqui antes que alguns tirem equivocadas conclusões. Mas é algo operado por seres humanos, que podem errar, assim como uma máquina eventualmente falha. Apesar do nome até certo ponto pretensioso, o "tira-teima" pode, sim, ser questionado em determinadas situações.
Na importante partida da Libertadores noite de quarta-feira, Alecsandro empurrou a bola para as redes do Corinthians, mas a arbitragem anulou o gol. O atacante do Vasco estaria impedido. Mas havia um jogador do Corinthians, Emerson "Sheik" aparentemente dando condições ao vascaíno.
Acionado, o "tira-teima" cravou que o impedimento existiu. No canal Fox, que também transmitiu o cotejo, Carlos Eugênio Simon disse que não, ou seja, que a posição de Alecsandro era legal. Será que apenas o ex-árbitro pode estar equivocado? A máquina e seu operadores não falham?
O tira-teima: bola parece ter partido um pouco antes de congelarem a imagem
Veja acima que na imagem do "tira-teima" a bola já partiu a uma fração de segundo no momento em que ela é congelada. Pelo menos é a minha sensação. Paramos o lance no instante do passe de cabeça do Diego Souza a partir da imagem da Fox (abaixo) e o centroavante parece na mesma linha.
A Diego Souza toca com a cabeça: Alecandro e Sheik aparecem na mesma linha
Por falar em linha, rapidamente pipocaram nas redes sociais pela internet outras reproduções do lance. Torcedores também têm os seus "tira-teimas" hoje em dia, e alguns pegaram o momento do passe e puseram riscos sobre a imagem para provar que havia impedimento, ou não. Outros questionam a confiabilidade ou se as linhas estão mesmo no local certo.
Mas poucos desconfiam do "tira-teima", como se o ser humano que o controla fosse dotado de um poder superior, um homem infalível. Basta que congele a imagem um pouco antes ou depois do momento certo para induzir muitos a acreditarem em algo pelo menos questionável.
A Globo deve continuar utilizando o "tira-teima", óbvio. Mas ninguém é obrigado a se curvar a ele sempre, ainda mais em lances como o do gol, a meu ver legal, feito por Alecsandro. Fiquemos, cada um de nós, com as respectivas opiniões, sem a ditadura do olho eletrônico, que eventualmente pode estar míope.
PS: clique aqui e veja vídeo no Youtube. Ignoro as acusações de manipulação que o responsável pela edição inseriu no mesmo, acredito em falha humana no uso do equipamento ou algum problema técnico no próprio. Vamos nos limitar a observar com atenção o trecho entre os 26 segundos e os 53 segundos. Nele é possível notar que realmente quando a linha é colocada sobre a imagem a bola já saiu da cabeça de Diego Souza, ou seja, Emerson dá um passo a frente, Alecsandro se projeta no sentido inverso, tudo nessa fração de segundo, mudando a situação. Conclusão: o "tira-teima", ao que parece, não registrou o exato momento do lançamento. Não estamos aqui dizendo que alguém teve a intenção de deturpar a realidade ou que estão querendo beneficiar algum time, nada disso. O tema do post é discutir a possibilidade de erros no uso de recursos como o "tira-treima". E agora com esse link fica ainda mais interessante o debate.
Dizem que vida de torcedor na Europa é fácil, que o acesso aos estádios sempre é uma moleza, etc. Não é bem assim. Há canchas muito, mas muito próximas das estações de trem e/ou metrô e outras nem tanto. Sem disposição para uma caminhada, o europeu não poderia ir a certos jogos.
Aqui em Munique, a Allianz Arena, palco da decisão desta Liga dos Campeões, sábado, entre Bayern e Chelsea, é atendida pela estação de trem Fröttmaning, a pouco menos de um quilômetro e meio do acesso ao palco da finalíssima. O que não livra o torcedor de uma caminhada, algo em torno de 15 minutos, 20 minutos... O que, convenhamos, não é nada demais, pelo contrário.
Há exemplos no Brasil de estações de trem e metrô ainda mais próximas dos estádios de futebol. Os do Rio de Janeiro estão ainda mais perto dos locais de desembarque dos torcedores. Ainda assim fala-se demais em estacionamentos para automóveis nos estádios da Copa do Mundo de 2014.
Seria mais lógico cobrar das empresas responsáveis pelas linhas de trem e metrô que aprimorem os seus serviços. Há, sim, estrutura para levar a torcida aos jogos como na Europa, sem carro, desde que não sejamos preguiçosos a ponto de não encararmos uma caminhadinha de 15 minutos.
Confira as distâncias entre as estações de trem e/ou metrô e os estádios:
Palestra Itália (São Paulo) - 1,5 Km (metrô e trem)
Pacaembu (São Paulo) - 1,4 Km (metrô)
Allianz Arena (Munique) - 1,3 Km (trem)
Engenhão (Rio de Janeiro) - 179 metros trem)
Maracanã (Rio de Janeiro) - 130 metros (trem) e 450 metros (metrô)
Confira, abaixo, o vídeo gravado com Dudu Monsanto para o programa "Fora de Jogo", da ESPN.
Time quase imbatível, rei da posse de bola, o Barcelona caiu duas vezes nas três últimas semifinais da Liga dos Campeões. E em três desses quatro jogos, o segundo contra a Internazionale em 2010 e os dois confrontos diante do Chelsea neste ano, os catalães foram parados por fortes sistemas defensivos. Curiosamente ao superarem Messi e companhia, os algozes do Barça se classificaram para decisões com o Bayern Munique.
Há dois anos a Inter dirigida por José Mourinho não foi apenas uma equipe retrancada diante do Barcelona. Em Milão saiu pro jogo, agrediu, atacou, fez 3 a 1. No Camp Nou, quando se viu com 10 homens ainda no primeiro tempo, se fechou, defendeu a vantagem construída em San Siro. Bem diferente do Chelsea, que admitiu a evidente, clara superioridade barcelonista. E formou um ferrolho que deixaria orgulhosos de Helenio Herrera a Milton Buzzeto.
Na decisão de 2010, em Madri, o Bayern não encontrou uma Internazionale retrancada. Perdeu para um time que até esperou os bávaros e contra-atacou de maneira mortal, apoiado num inspiradíssimo Diego Milito. Mas aquilo não era retranca. E agora? A finalíssima não será em território neutro como a cancha espanhola de dois anos atrás, mas em solo alemão, em Munique, na casa do Bayern, cujo técnico parece propenso a ousar.
Jupp Heynckes tem desfalques na defesa e em sua proteção, com as ausências dos suspensos, Badstuber (zagueiro), Alaba (lateral-esquerdo) e Luís Gustavo (volante). Para o lugar do brasileiro já sinalizou com a ideia de recuar Tony Kross para formar dupla de volantes com Schwesteiger, entrando Thomas Müller entre Ribery e Robben. Formaria, assim, o quinteto de meia-cancha no que seria um ofensivíssimo 4-2-3-1.
Diante de tal possibilidade veremos um Chelsea tão trancado quanto nos cotejos com o Barcelona? Há diferenças evidentes. Os catalães trocam passes mais pacientemente, não vão tanto à linha de fundo, evitam os chuveirinhos e parecem envergonhados quanto têm a chance do arremate de média ou longa distância. Os bávaros fazem tudo isso, seu estilo é menos vistoso, mais veloz, incisivo.
O Chelsea vai se prevenir, se defender, se fechar, creio. Mas não tanto como fez diante do Barça. E você, o que espera ver na decisão de sábado?
Há dois anos a Inter dirigida por José Mourinho não foi apenas uma equipe retrancada diante do Barcelona. Em Milão saiu pro jogo, agrediu, atacou, fez 3 a 1. No Camp Nou, quando se viu com 10 homens ainda no primeiro tempo, se fechou, defendeu a vantagem construída em San Siro. Bem diferente do Chelsea, que admitiu a evidente, clara superioridade barcelonista. E formou um ferrolho que deixaria orgulhosos de Helenio Herrera a Milton Buzzeto.
Na decisão de 2010, em Madri, o Bayern não encontrou uma Internazionale retrancada. Perdeu para um time que até esperou os bávaros e contra-atacou de maneira mortal, apoiado num inspiradíssimo Diego Milito. Mas aquilo não era retranca. E agora? A finalíssima não será em território neutro como a cancha espanhola de dois anos atrás, mas em solo alemão, em Munique, na casa do Bayern, cujo técnico parece propenso a ousar.
Jupp Heynckes tem desfalques na defesa e em sua proteção, com as ausências dos suspensos, Badstuber (zagueiro), Alaba (lateral-esquerdo) e Luís Gustavo (volante). Para o lugar do brasileiro já sinalizou com a ideia de recuar Tony Kross para formar dupla de volantes com Schwesteiger, entrando Thomas Müller entre Ribery e Robben. Formaria, assim, o quinteto de meia-cancha no que seria um ofensivíssimo 4-2-3-1.
Diante de tal possibilidade veremos um Chelsea tão trancado quanto nos cotejos com o Barcelona? Há diferenças evidentes. Os catalães trocam passes mais pacientemente, não vão tanto à linha de fundo, evitam os chuveirinhos e parecem envergonhados quanto têm a chance do arremate de média ou longa distância. Os bávaros fazem tudo isso, seu estilo é menos vistoso, mais veloz, incisivo.
O Chelsea vai se prevenir, se defender, se fechar, creio. Mas não tanto como fez diante do Barça. E você, o que espera ver na decisão de sábado?
Messi é cercado por Terry, Mikel e Ashley Cole durante o jogo no Camp Nou
Crédito da imagem: Reuters
Crédito da imagem: Reuters
Encerrado o épico cotejo que fechou o incrível campeonato inglês 2011/2012, embarcamos em seguida para Munique. Aqui a equipe dos canais ESPN fará nos seis próximos dias, a partir de hoje, a cobertura da decisão da Uefa Champions League. Mas antes de mergulharmos em Bayern x Chelsea, é preciso concluir a página que ainda não foi virada e jamais será esquecida por quem acompanhou, torceu, vibrou, se emocionou com Manchester City 3 x 2 Queens Park Rangers.
Minha paixão pelo futebol não é seletiva. Jamais fiz parte do grupo dos que só admiram o drible, o belo lançamento, a jogada de efeito, o lance ofensivo. Gosto disso tudo, é óbvio, sem deixar de admirar o desarme na bola, o bote preciso do zagueiro, a marcação bem feita. O carrinho cirúrgico do volante que sai na cobertura e desliza no gramado para tomar a bola, limpa, de quem parecia próximo de colocá-la nas redes do seu time. O jogo defensivo também é futebol e pode ser enaltecido, como a defesa espetacular do goleiro. O objetivo aí é um só: impedir o gol.
E ainda bem que existem aqueles que o dificultam, que fazem do tento, do ponto no futebol o mais difícil, árduo, trabalhoso, sofrido, duro, valorizado, saboroso, emocionante, inesquecível. Nenhum outra modalidade esportiva é assim. Esse é um jogo no qual se duela por 90 minutos para empurrar a pelota entre três traves. E fazer isso uma só vez pode ser o bastante para provocar nas pessoas as mais surpreendentes reações e transformar o autor da proeza num quase Deus naquele momento. Quem não tem guardado na memória e no coração uma peleja vencida pela contagem mínima?
E por não depender de muitos pontos para nos proporcionar um grande espetáculo, o futebol é tão apaixonante, sedutor. E fica ainda mais quando ocorre a mescla do jogo defensivo eficiente, disciplinado, de superação, heróico até, com gols, mudanças no placar, desfechos imprevisíveis e tensão. Tudo isso foi apresentado em doses industriais na partida que definiu a conquista do título inglês pelo Manchester City. Uma carga de emoção tamanha que faz o jogo voltar à mente a todo instante.
O QPR precisava de um ponto. Como o Chelsea ante o poderio do Barcelona, se entricheirou, tal e qual um exército que defende sua fortaleza. Conseguiu na maior parte do tempo, apesar da clamorosa falha do arqueiro Kenny no primeiro gol dos Citizens. E ainda saiu para apunhalar o adversário com dois golpes aparentemente fatais, que resultaram no par de tentos alcançado em apenas três finalizações durante todo o embate. Uma quase perfeita exibição defensiva. Admirável, elogiável, exemplar. Sim, trata-se de estratégia legítima, digna, que além de tudo desafia o time tecnicamente superior a superar a barreira posta diante dele.
O Barça tentou, mas não foi capaz de passar pelo que os ingleses definiram como "o ônibus que o Chelsea colocou em frente ao seu gol". O Manchester City rompeu a barreira armada pelo valente Queens Park Rangers. Na força, na técnica, no coração. Não, num momento como esse, de celebração do futebol e seus mistérios, com roteiros inimagináveis e farta emoção, me recuso a debater a origem do dinheiro que montou essa equipe.
Algo que pode, sim, ser discutido. Como a ISL no Flamengo e no Grêmio, Emil Pinheiro no Botafogo, Kia no Corinthians, Unimed no Fluminense, Glazer no Manchester United, Berlusconi no Milan, Morati na Inter, Abramovich no Chelsea, John Henry no Liverpool, a Fiat na Juventus, Marcelo Teixeira no Santos, etc. Pode mas não será discutido agora, hoje, neste post, neste blog. É hora de reverenciar o melhor dos esportes após mais um grande presente que nos deu.
O jogo defensivo tem lá seus encantos. E não é fácil executá-lo em nível tão elevado a ponto de parar a artilharia pesada que, sim, o dinheiro árabe comprou para os Citizens. O QPR conseguiu por mais de 90 minutos, caiu nos acréscimos e o estupendo final nos mostrou que a beleza da retranca é menor do que a dos gols de uma virada. Neste domingo os jogadores que nos proporcionaram tamanho espetáculo foram os herois do esporte rei, o futebol, melhor invenção do homem. Tão bom que foge da compreensão como alguém pode ser capaz de não gostar dele.
É mais do que um jogo. Assim, só me resta dizer, com a humildade dos times que se reconhecem inferiores e se defendem como podem: muito obrigado!
Minha paixão pelo futebol não é seletiva. Jamais fiz parte do grupo dos que só admiram o drible, o belo lançamento, a jogada de efeito, o lance ofensivo. Gosto disso tudo, é óbvio, sem deixar de admirar o desarme na bola, o bote preciso do zagueiro, a marcação bem feita. O carrinho cirúrgico do volante que sai na cobertura e desliza no gramado para tomar a bola, limpa, de quem parecia próximo de colocá-la nas redes do seu time. O jogo defensivo também é futebol e pode ser enaltecido, como a defesa espetacular do goleiro. O objetivo aí é um só: impedir o gol.
E ainda bem que existem aqueles que o dificultam, que fazem do tento, do ponto no futebol o mais difícil, árduo, trabalhoso, sofrido, duro, valorizado, saboroso, emocionante, inesquecível. Nenhum outra modalidade esportiva é assim. Esse é um jogo no qual se duela por 90 minutos para empurrar a pelota entre três traves. E fazer isso uma só vez pode ser o bastante para provocar nas pessoas as mais surpreendentes reações e transformar o autor da proeza num quase Deus naquele momento. Quem não tem guardado na memória e no coração uma peleja vencida pela contagem mínima?
E por não depender de muitos pontos para nos proporcionar um grande espetáculo, o futebol é tão apaixonante, sedutor. E fica ainda mais quando ocorre a mescla do jogo defensivo eficiente, disciplinado, de superação, heróico até, com gols, mudanças no placar, desfechos imprevisíveis e tensão. Tudo isso foi apresentado em doses industriais na partida que definiu a conquista do título inglês pelo Manchester City. Uma carga de emoção tamanha que faz o jogo voltar à mente a todo instante.
O QPR precisava de um ponto. Como o Chelsea ante o poderio do Barcelona, se entricheirou, tal e qual um exército que defende sua fortaleza. Conseguiu na maior parte do tempo, apesar da clamorosa falha do arqueiro Kenny no primeiro gol dos Citizens. E ainda saiu para apunhalar o adversário com dois golpes aparentemente fatais, que resultaram no par de tentos alcançado em apenas três finalizações durante todo o embate. Uma quase perfeita exibição defensiva. Admirável, elogiável, exemplar. Sim, trata-se de estratégia legítima, digna, que além de tudo desafia o time tecnicamente superior a superar a barreira posta diante dele.
O Barça tentou, mas não foi capaz de passar pelo que os ingleses definiram como "o ônibus que o Chelsea colocou em frente ao seu gol". O Manchester City rompeu a barreira armada pelo valente Queens Park Rangers. Na força, na técnica, no coração. Não, num momento como esse, de celebração do futebol e seus mistérios, com roteiros inimagináveis e farta emoção, me recuso a debater a origem do dinheiro que montou essa equipe.
Algo que pode, sim, ser discutido. Como a ISL no Flamengo e no Grêmio, Emil Pinheiro no Botafogo, Kia no Corinthians, Unimed no Fluminense, Glazer no Manchester United, Berlusconi no Milan, Morati na Inter, Abramovich no Chelsea, John Henry no Liverpool, a Fiat na Juventus, Marcelo Teixeira no Santos, etc. Pode mas não será discutido agora, hoje, neste post, neste blog. É hora de reverenciar o melhor dos esportes após mais um grande presente que nos deu.
O jogo defensivo tem lá seus encantos. E não é fácil executá-lo em nível tão elevado a ponto de parar a artilharia pesada que, sim, o dinheiro árabe comprou para os Citizens. O QPR conseguiu por mais de 90 minutos, caiu nos acréscimos e o estupendo final nos mostrou que a beleza da retranca é menor do que a dos gols de uma virada. Neste domingo os jogadores que nos proporcionaram tamanho espetáculo foram os herois do esporte rei, o futebol, melhor invenção do homem. Tão bom que foge da compreensão como alguém pode ser capaz de não gostar dele.
É mais do que um jogo. Assim, só me resta dizer, com a humildade dos times que se reconhecem inferiores e se defendem como podem: muito obrigado!
Neil Young, Colin Bell, Francis Lee e Mike Summerbee foram os heróis do título conquistado pelo Manchester City em 11 de maio de 1968 pela Football League Division One. Na última rodada os dois times de Manchester tinham a mesma pontuação.
Os Citizens foram a Newcastle e venceram o décimo colocado. Já os Reds Devils perderam em casa para o Sunderland (1 a 2), 15º classificado daquela temporada. Assim a taça de campeão inglês foi pela segunda vez na história para Maine Road, antigo campo do City.
Cerca de 20 mil torcedores do Manchester City estavam entre os 46.492 que superlotaram o campo do Newcastle, muito diferente do que é atualmente (veja nas fotos e no vídeo abaixo). Uma conquista histórica e muito mais difícil do que se imagina.
O rival vermelho era poderoso. Tanto que exatos 18 dias depois, o Manchester United venceria o Benfica, conquistando o título europeu pela primeira vez, sob o comando do lendário Matt Busby.
Mike Summerbee arremata contra o goleiro Iam McFaul: ele abriu o placar


Torcida invade o campo: cerca de 20 mil fãs do Manchester City em Newcastle
Francis Lee comemora em meio aos torcedores: autor de um gol nos 4 a 3
George Heslop e Colin Bell: os heróis de uma conquista sensacional em 1968
Time do Manchester City comemoram no vestiário o título de 1968: há 44 anos
Newcastle: Iam McFaul, David Craig, Frank Clark, Bob Moncur, John McNamee, Jim Iley, Jackie Sinclair, Jim Scott, Wyn Davies, Bryan Robson, Tommy Robson.
Técnico: Joe Harvey
Manchester City: Ken Mulhearn, Tony Book, Glyn Pardoe, Mick Doyle, George Heslop, Alan Oakes, Francis Lee, Colin Bell, Mike Summerbee, Neil Young, Tony Coleman.
Técnico: Joe Mercer
Gols: Summerbee aos 14 minutos (Man City 1 a 0), Robson aos 15 (1 a 1), Neil Young aos 40 (City 2 a 1), Sinclair aos 43 do 1º (2 a 2); Neil Young aos 2 do 2º (City 3 a 2), Lee aos 18 (City 4 a 2) e McNamee aos 40 do 2º (3 a 4)
Árbitro: John Thacker
O jornalista Matheus Mandy, do site www.guiafut.com, desde 2004 acompanha como poucos, ou como ninguém, as divisões além da chamada elite do futebol do Estado do Rio de Janeiro, onde de tudo está acontecendo. No texto abaixo ele resume a comédia de erros.
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Era 16 de Novembro de 2011 e os 22 clubes da Série B do Carioca estiveram reunidos para a reunião do Conselho Arbitral da competição na sede da entidade. De todos, apenas o CFZ - clube gerenciado por Zico -, desistiu e assim, foi rebaixado para a Série C 2013.
Os demais 21 foram separados em dois grupos, um com 11 times e outro com 10. Na última semana de janeiro, o Teresópolis encaminhou à Federação (Ferj), o seu pedido de desistência. Mesmo assim, a entidade obrigou os rivais do time teresopolitano a irem aos locais designados para as partidas e vencerem por WO. Ordem mantida mesmo com todos já cientes de que não haveria jogo. Uma despesa desnecessária. Somente quando o clube perdeu três partidas por WO a Ferj determinou sua exclusão, como manda o regulamento.
Assim, ficou definido que todos os rivais do Teresópolis, venceriam por 3 a 0 e os time da serra cairia para a Série C, restando duas vagas para o rebaixamento. Durante a competição, Ceres e Carapebus foram suspensos, mas o primeiro levou apenas um WO e retornou. Já o segundo sofreu incríveis sete derrotas por WO. Incluindo algo inédito: haveria um duelo entre Carapebus e Teresópolis, mas ocorreu um duplo WO, já que ambos estavam suspensos.
O regulamento da competição previa:
Art. 3º - Na primeira fase as associações serão distribuídas em 02 grupos (A e B) formados mediante sorteio dirigido, com as equipes jogando entre si, dentro do grupo, em turno e returno, classificando-se para a segunda fase as 05 (cinco) primeiras colocadas de cada grupo e mais as duas de melhor índice técnico, independentemente do grupo a que pertençam, perfazendo o total de 12 equipes, ressalvadas as disposições do parágrafo primeiro deste artigo.
O Índice Técnico (IT) é uma conta maluca: Número de Pontos/Número de Jogos + Número de Gols/Número de Jogos.
Ao fim da primeira fase, tirando os cinco melhores de cada chave, se o regulamento fosse levado ao pé da letra, a Cabofriense - oitava colocada do Grupo B -, teria 3,06 de IT e o Serra Macaense - sétimo do Grupo A -, teria 3,00 de IT, empatado com o América.
O time do Juventus, que participa da confusa segundona do Estado do Rio de Janeiro
Assim, teoricamente, Cabofriense estaria classificada e Serra Macaense e América brigariam por uma vaga no Tribunal, já que o regulamento tem a incrível falta de um critério de desempate para a igualdade em IT.
Porém, a entidade entende que um clube com mais pontos não pode ser desclassificado enquanto seguiria no certame outro com menos pontos, mesmo com IT maior. E assim, Rio Branco com 31 pontos e 2,95 de IT e Serra Macaense com 29, eliminaram America e Cabofriense, que fizeram 24.
Os americanos se sentem prejudicados e por isso entraram com um mandado de garantia para paralisar o campeonato, alegando ter IT maior do que o Rio Branco. Mas suponhamos que o América vença na justiça e fique com a vaga. Como ficaria a Cabofriense, que possui IT maior do que o time rubro?
REBAIXAMENTO E CONFUSÃO
O regulamento prevê que os seis piores de IT sejam deslocados para um Torneio da Morte, onde dois seriam rebaixados. A entidade determinou que o Grupo fosse formado pelo Carapebus - que já levou as sete derrotas por WO e deveria ser excluído -, São Cristovão, Mesquita, Angra dos Reis, Imperial e Juventus.
Mas aí vem outra polêmica. O Angra dos Reis possui apenas 2,50 de IT, mas tem 26 pontos, contra 24 de América e Cabofriense. Como isso pode acontecer, se na classificação para a segunda fase, a entidade entendeu que um time com mais pontos, não poderia ficar atrás de um time com menos pontos?
Quem tenta paralisar este Grupo da Morte é o Mesquita. O motivo? Outro totalmente plausível, se entendermos os critérios adotados pela Ferj. O clube da Bixada tem apenas 2,55 de IT, atrás de America e Cabofriense, mas na primeira fase conquistou 26 pontos.
Até 8 de maio não havia uma resposta sobre o mandado de garantia feito por América e Mesquita e os jogos marcados para o dia 9 continuaram marcados.
POLÊMICA PARECIDA ACONTECEU EM 2011
Em 2011, houve um caso idêntico. O Teresópolis havia conquistado mais pontos do que o São João da Barra na primeira fase, mas o time sanjoanense tinha feito mais pontos. O site da Ferj chegou a dar o São João da Barra como classificado, mas horas depois retirou a notícia do ar e publicou uma nova colocando o Teresópolis, como se nada tivesse acontecido.
Assim, o SJB entrou com um mandado de garantia no TJD e paralisou a competição até o julgamento no STJD. Foi derrotado por 3 a 2 em meio ao confuso regulamento.
No rebaixamento de 2011 também houve confusão. O Aperibeense foi excluído durante a primeira fase e levou WO, sendo rebaixado. Assim, seriam duas vagas na Série C em aberto. Antes do final da primeira fase, Mesquita e Itaperuna perderam três por WO e deveriam ser excluídos, mas não foram e conseguiram retornar ao campeonato.
Semanas depois, o Itaperuna sustou o cheque dado à Ferj para o pagamento de dívidas e foi novamente suspenso do campeonato. Revoltado, o Cardoso Moreira entrou com um mandado de garantia. O clube alegou que pelo regulamento Itaperuna e Mesquita deveriam ser rebaixados e, assim, acabar com as vagas para a Série C 2012. O Cardoso se recusou a entrar em campo no Grupo da Morte e acabou sendo rebaixado pela entidade e teve seu mandado de garantia negado.
Há exatos 30 anos morria Joseph Gilles Henri Villeneuve, uma das maiores lendas da Fórmula 1. Venceu apenas seis das 67 corridas que disputou entre 1977 e 82. Mesmo assim, entrou para a história como um dos maiores. Ao volante da Ferrari, Gilles Villeneuve protagonizou momentos inesquecíveis que ajudaram a construir sua imagem de piloto veloz e sem medo. Como no duelo com René Arnoux, no Grande Prêmio da França de 1979. A prova foi vencida pelo outro carro da Renault, que tinha ao volante Jean Pierre Jabouille.
Mas o GP ficou marcado pelas sucessivas ultrapassagens no embate entre os dois. Um momento inesquecível como o GP do Canadá em 81, quando Gilles conduziu ao pódio uma Ferrari avariada, quase impossível de pilotar. Ou novamente em 79, em Zandvoort, na Holanda, onde correu com apenas três rodas. O mito canadense levou a melhor e cruzou a linha de chegada em segundo naquele duelo com Arnoux em Dijon Prenois. Após a disputa histórica, o francês admitiu: "Ele me venceu, mas isso não me preocupa, pois sei que fui superado pelo melhor piloto do mundo".
Não foram poucos os que concordaram. Gilles Villeneuve morreu durante os treinos para o Grande Prêmio da Bélgica de 1982. O acidente no asfalto de Zolder lhe tirou a vida. Mas quinze anos depois, seu filho, Jacques, escreveria o nome da família na galeria dos campeões da Fórmula 1.
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Mauro Cezar Pereira é de Niterói (RJ). Jornalista desde 1983, passou pelas rádios Tupi, Sistema Globo e Manchete, Jornal dos Sports, O Globo, O Dia, JB, Placar e Valor Econômico, entre outras publicações. Lecionou em faculdades de jornalismo e é comentarista dos canais ESPN, e da Rádio Eldorado/ESPN. * COMENTÁRIOS EM MAIÚSCULAS SERÃO DELETADOS
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