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- 30Jan
A blogueira que virou santa é a dona da semana
por Lúcio de Castro
Dias de envergonhar a espécie humana, com a barbárie do Pinheirinho, a omissão de sempre dos governantes nos prédios que desabam (como já tinha sido no bonde, nos temporais, em tantas coisas...), com o chocante relato na reportagem de Eliane Brum (sempre ela...!), “A Amazônia, segundo um morto e um fugitivo”, disponível na internet. Para completar, na semana que entra, temos a monótona, repleta de chavões e inverdades, parcial, acrítica, e muitas vezes beirando o desonesto, cobertura da visita da presidenta Dilma a Cuba. Desde já, nossa imprensa elegeu a personagem da viagem, não importando o que irá acontecer: Yoani Sánchez, a blogueira cubana. Eleita estrela pop pela imprensa mundial já há algum tempo.
Yoani Sánchez todos conhecem. Ou acham que sim. A tal blogueira que virou símbolo mundial na luta “pelos direitos humanos em Cuba”, “contra a falta de liberdade de expressão em Cuba”, etc... Não iria aqui (prestem atenção nesse trecho antes de enviar afirmações deturpadas sobre minhas opiniões... ) ignorar problemas, alguns graves, ocorridos ao longo do processo revolucionário em Cuba, desde 1959. Apenas é preciso tentar ver o outro lado sem a dose de cinismo com que geralmente a nossa imprensa o faz, assim como a maioria esmagadora da imprensa do ocidente. Sem ignorar os bloqueios, as sabotagens, as criminosas tentativas de homicídio partidas de Washington e outras variáveis. Estive na ilha por diversas e diferentes razões, e por isso gosto mais ainda dos versos de Pablo Milanez, equilibrado em reconhecer as contradições da revolução e seus méritos em “Acto de Fe”.
É preciso se despir de preconceitos, conceitos prontos e chavões para ao menos manter o senso crítico quando se vê, repetidas e monótonas vezes, a afirmação dos “desrespeitos e violação aos direitos humanos em Cuba”. Ou se fala com absoluto conhecimento de causa, se é capaz de afirmar com conhecimento e critério jornalístico, provando, ou nos resta como referência o órgão mundial que trata sobre o assunto. E segundo a Anistia Internacional, que de forma alguma pode ser apontada como conivente com Cuba, (muito pelo contrário), em parecer de abril de 2011, “no continente americano, é o país que menos viola os direitos humanos ou que melhor os respeita é Cuba.
O parecer está no sítio da Anistia Internacional, em três idiomas. De qualquer forma, sempre chega a ser risível falar em “violação aos direitos humanos” vivendo no Brasil de Pinheirinhos, das remoções nas grandes cidades pelo estado de exceção que se instala por causa da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, da Candelária, do Carandiru, da reportagem acima citada de Eliane Brum... E poderíamos seguir dando tantos exemplos, infinitos, né?
O mesmo informe da Anistia Internacional dá conta de que 23 dos 27 países que votaram por sanções contra Cuba por violações dos direitos humanos são apontados pela própria Anistia como violadores muito maiores do que Cuba nos direitos humanos. O que nos leva a crer que a maior violação aos direitos humanos em Cuba está mesmo na base militar americana de Guantánamo. Quem dirá o contrário, quem será capaz?
Tampouco eu seria panfletário ou bobinho de falar em “liberdade de expressão” em Cuba. Apenas não sou panfletário ou bobinho de omitir o nosso quadro. Ou o das grandes corporações, dos barões da mídia mundiais. Alguém ignora o quanto de poderio econômico serve de filtro para o noticiário nosso de cada dia, para escolher o que vai para as páginas ou ao ar? Se não acredita, então fique esperando no horário nobre a apuração séria dos desmandos da Copa de 2014 ou 2016. Não vale algo pontual, quando o próprio interesse está em jogo...
Esqueçam as duas linhas de quatro, o 4-2-3-1 e as confusões da Turma do Didi (diretoria do Flamengo) e Luxemburgo, além da operação de Rogério Ceni. A semana que começa será de Yoani Sánchez, alguém tem dúvida? Brasileiros envolvidos na cobertura da visita de Dilma a Cuba irão procurar a blogueira. Traçarão perfis. Ela que ganhou espaço como colunista do Globo, que recebeu o Jornal Nacional esses dias e tem dado entrevista pra todos os órgãos de imprensa brasileiros, irá falar mais do que nunca.
Espera-se que os envolvidos na cobertura tenham ao menos um pouco da categoria e cumpram os deveres do ofício como fez o jornalista francês Salim Lamrani, professor da Sorbonne. O único jornalista do mundo até aqui a fazer algumas perguntas elementares para Yoani. O único a estranhar que a blogueira tenha recebido Bisa Williams, diplomata americana em sua casa e não tenha revelado. O único a pelo menos questionar o que poderia estar por trás da dimensão que Yoani ganhou no mundo, além dos 300 mil euros recebidos em prêmios nos últimos tempos. Uma entrevista que vale a pena. É enorme, mas vale. Pelo menos para que possamos ter algumas interrogações quando começar a “semana Yoani”.
Aos colegas envolvidos na cobertura in loco, boa sorte. Independentemente de sistemas políticos, o que fica ao fim de tudo, sempre, é gente. Curtam essa gente especial. Em alguns momentos, não saberão se estão na Pedra do Sal, aqui em São Sebastião do Rio de Janeiro ou em Habana Vieja. Esqueçam as questões ideológicas e travem conversa com aqueles que mais rápido falam no mundo. Ninguém consegue falar mais rápido do que um cubano, quase engolindo sílabas. Esqueça os chavões, o que leu. Não comece a conversa por “companheiro”. Quem é de rua sabe que nas quebradas o papo é outro. Bote a mão no ombro, chame de “sócio”, “cumpadre”, “amigo” que seja. Vai encontrar uma gente altiva, de cabeça erguida. Na correria, como em qualquer lugar do mundo. Lembrem-se também que o mojito é na Bodeguita e o daiquiri na Floridita... E na hora em que estiver trabalhando, oxalá possa deixar os preconceitos de lado. Nem de um lado nem do outro. Do mesmo jeito que não valem as versões e protocolos oficiais, se der para relativizar pelo menos tudo o que vê de mazelas, tentar entender o contexto, ir além, vai dar para sair de cabeça erguida.
Do contrário, se for mais um voltando com velhos chavões e preconceitos, será mais um a conhecer a maldição da despedida em Cuba. Consta que todos aqueles que não foram capazes de manter o equilíbrio e a correção em coberturas habaneiras, ganharam um nó eterno na garganta, adquirido na hora de ir embora e que acompanha o resto da vida, em forma de vergonha. Bate forte como arrependimento quando se pensa em tudo o que se escreveu pensando na voz do dono. Um mal que acomete a quem pecou diante de Gutemberg, e vem quando se passa pelos dizeres na saída do aeroporto (nada pode ser mais devastador):
“Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.
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ENTREVISTA COM YOANI SÁNCHEZ, por SALIM LAMRANI:
Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.
Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.
Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?
Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.
O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da "polícia política". Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.
Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.
Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.
Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um "capitalismo sui generis" em Cuba.
O incidente de 6 de novembro de 2009
Salim Lamrani - Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por "três robustos desconhecidos" durante uma "tarde carregada de pancadas, gritos e insultos". A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?
Yoani Sánchez - Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.
SL - O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de "golpes e empurrões", de "golpes nos nós dos dedos", de "enxurrada de golpes", do "joelho sobre o [seu] peito", dos golpes nos "rins e [...] na cabeça", do "cabelo puxado", de seu "rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido", dos "golpes [que] continuavam vindo" e "todas essas marcas roxas". No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?
YS - São profissionais do espancamento.
SL - Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?
YS - Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.
SL - Tem provas fotográficas?
YS - Tenho as provas fotográficas.
SL - Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?
YS - Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.
SL - Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.
YS - Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.
SL - A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.
YS - É minha escolha.
SL - No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora "não tem hematomas, marcas ou cicatrizes". A agência France Presseconta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título "Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente". O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora "não ficou ferida".
YS - Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.
SL - Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.
YS - O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que "me doeu aqui ou me doeu ali" é minha dor interior.
SL - Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de "sequestro no pior estilo da Camorra siciliana".
YS - Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.
SL - Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos e violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: "Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e o supercílio inflamados." Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.
YS - Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.
SL - A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.
YS - Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.
SL - Para impedi-los de participar do evento?
YS - A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.
SL - Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.
YS - Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.
SL - Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?
YS - Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinquenta anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.
SL - Então havia quatro homens no total, e não três.
YS - Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: "Yoani, entre no carro, você sabe quem somos." Respondi: "Não sei quem são os senhores." O mais baixo me disse: "Escute-me, voce sabe quem sou, você me conhece." Retruquei: "Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento." O outro me disse: "Entre, não torne as coisas mais difíceis." Então comecei a gritar: "Socorro! Sequestradores! "
SL - A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?
YS - Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.
SL - Qual era seu objetivo, então?
YS - Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.
SL - Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?
YS - As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois "sequestro" não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: "Não se metam, que são contrarrevolucioná rios!"
Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior.
SL - Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.
YS - Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.
SL - Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.
YS - Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.
SL - É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?
YS - Seu objetivo era radicalizar- me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.
SL - Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.
YS -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como "sangrenta repressão", por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar- me.
SL - No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: "o barco que faz água a ponto de naufragar". A senhora fala dos "gritos do déspota", de "seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem", e afirma que "naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufráfio [total]". São palavras muito fortes.
YS - Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.
SL - Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.
YS - Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário.
Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.
SL - Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.
YS - De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: "Socorro! Um sequestro!"
SL - Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.
YS - Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.
SL - A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?
YS - Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.
Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora.
Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.
SL - Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?
YS - Sim.
SL - Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.
YS - Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.
SL - Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.
YS - Não importa.
A Suíça e o retorno a Cuba
SL - Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o "paraíso europeu" para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?
YS - É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu status de residente permanente.
Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.
SL - O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.
YS - As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.
SL - Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.
YS - É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo.
Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.
SL - Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.
YS - Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois "apocalíptico" é um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.
SL - Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como "uma imensa prisão, com muros ideológicos". Os termos são bastantes fortes.
YS - Nunca escrevi isso.
SL - São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24 em 22 de outubro de 2009.
YS - O senhor leu isso em francês ou em espanhol?
SL - Em francês.
YS - Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.
SL - Quais eram essas palavras?
YS - "Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades. " Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.
SL - Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?
YS - Eu não diria isso.
SL - Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.
YS - O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.
SL - Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um "capitalismo sui generis" em Cuba?
YS - Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da "mordaça", que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.
SL - O que isso quer dizer?
YS - Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.
SL - Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?
YS - É claro!
SL - Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.
YS - Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.
SL - Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.
Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?
YS - Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.
SL - Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel.
YS - É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.
SL - Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.
YS - Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.
SL - Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.
YS - Sim, mas é diferente.
SL - A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?
YS - Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.
SL - Deram-lhe alguma explicação?
YS - Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.
As sanções econômicas
SL - Então a senhora se opõe às sanções econômicas.
YS - Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.
SL - O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?
YS - Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.
SL - Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.
YS - O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.
SL - Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.
YS - Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou- se muito o exílio cubano.
SL - O exílio "histórico" ou os que emigraram depois, por razões econômicas?
YS - Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.
SL - Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.
YS - É a opinião deles. É assim.
SL - Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.
YS - São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.
SL - As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?
YS - São uma desculpa que leva à repressão.
SL - Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?
YS - O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.
SL - Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?
YS - Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.
SL - Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.
YS - Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicaçõ es norte-americanas fizessem transações com Cuba.
Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama
SL - A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?
YS - Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.
SL - A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?
YS - É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.
SL - Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.
YS - Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que suscita mais polêmica. Venci na categoria "Internet". Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.
SL - A senhora não pode negar que o jornal espanhol El Paístem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.
YS - As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.
SL - Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?
YS - Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob's.
SL - E a tradução para 18 línguas?
YS - São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.
SL - Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade.
YS - Digo-lhe a verdade.
SL - O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?
YS - Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.
SL - Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que "são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente". É exatamente o que diz Washington sobre o tema.
O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?
YS - Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.
SL - Como a senhora chegou até Obama?
YS - Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.
SL - Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?
YS - Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.
SL - Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?
YS - Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.
SL - Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?
YS - Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.
SL - Mas ocorreu uma, não?
YS - Quando?
SL - Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.
YS - É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.
SL - A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?
YS - É difícil apontar um culpado.
SL - Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.
YS - Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.
SL - Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.
YS - Os confiscos ocorreram.
SL - É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.
YS - Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante...
SL - ...Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.
YS - Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.
SL - Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.
YS - É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.
Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência
SL - Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.
YS - Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.
SL - Mas qual é seu ponto de vista a respeito?
YS - Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.
SL - Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.
YS - É o que diz a propaganda política.
SL - Então não é verdade.
YS - Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.
SL - Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.
YS - É verdade.
SL - A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?
YS - Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.
SL - Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.
YS - Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.
SL - Mas os cinco não cometeram crimes.
YS - Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.
SL - A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.
YS - Sim.
SL - No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.
YS - É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.
SL - A senhora acha que se trata de um caso político?
YS - Para o governo cubano, é um caso político.
SL - E para os Estados Unidos?
YS - Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washigton. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.
O financiamento
SL - Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era "ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos". Acrescentou que "ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano".
Ele explica: "Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo".
YS - Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.
SL - Não creio que seja possível ignorar esta realidade.
YS - Por quê?
SL - O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.
YS: Não sei, mas...
SL - Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que "os Estados Unidos proporcionarã o assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba."
A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: "O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba".
O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um "sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana". Entre as medidas previstas há um financiamento de 36 milhões de dólares para o "apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente".
O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, "até que a ditadura deixe de existir".
YS - Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?
SL - A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: "A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam."
YS - Bem...
SL - Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos "por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba".
YS - Não sei se...
SL - Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: "Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições". O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era "total e completamente lícita". Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos "não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar" .
Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse informa que "os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas". A agência espanhola EFEmenciona os "opositores financiados pelos Estados Unidos". Quanto à agência de notícias britânica Reuters, "o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal". E eu poderia multiplicar os exemplos.
YS - Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.
SL - O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.
YS - Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas...
SL - Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.
YS - Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e...
SL - Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.
YS - Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.
SL - Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?
YS - Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.
SL - Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?
YS - As pessoas têm de ser economicamente autônomas.
SL - Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.
YS - Não gosto do termo "privatizar" , pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.
Conquistas sociais em Cuba?
SL - É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?
YS - Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.
SL - Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.
YS - Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.
SL - Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da Unesco.
YS - Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.
SL - Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena.
"Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90... Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública."
Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.
YS - Bom, mas...
SL - A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário ingles The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.
YS - Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.
SL - Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.
YS - É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.
SL - Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?
YS - Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminosos para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.
Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração
SL - O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?
YS - É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.
SL - Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?
YS - Não gosto de ações violentas.
SL - Condena seus atos terroristas?
YS - Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.
SL - Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?
YS - Não sei.
SL - Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.
YS - É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.
SL - Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?
YS - É, efetivamente, um fator de incitação.
SL - A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?
YS - Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilizaçã o.
SL - Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.
YS - Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.
SL - Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.
YS - Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.
SL - Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?
YS - Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.
SL - É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.
YS - Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.
SL - As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais forte en nove países do continente pelo menos.
YS - Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.
SL- É a mesma coisa hoje, já que a cada ano os cubanos do exterior voltam nas férias. Além disso, antes de 2004 e das restrições impostas pelo presidente Bush limitando as viagens dos cubanos dos EUA a 14 dias a cada três anos, os cubanos constituíam a minoria dos EUA que viajava com mais frequência a seu país de origem, muito mais que os mexicanos, por exemplo, o que demonstra que os cubanos dos EUA são, na imensa maioria, emigrados econômicos e não exilados políticos, já que voltam a seu país em visita, algo que um exilado político não faria.
YS- Sim, mas pergunte-lhes se querem voltar a viver aqui.
SL- Mas é o que a senhora fez, não? Além disso, em seu blog, a senhora escreveu em julho de 2007 que seu caso não era isolado. Cito: "Há três anos [...] em Zurique, decidir voltar e permanecer em meu país. Meus amigos acharam que era uma piada, minha mãe negou-se a aceitar que sua filha já não vivia na Suíça do leite e do chocolate". Em 12 de agosto de 2004, a senhora se apresentou no escritório de imigração provincial de Havana para explicar seu caso. A senhora escreveu: "Tremenda surpresa quando me disseram para procurar o último da fila dos 'que regressam'. [...] E logo encontrei outros 'loucos' como eu, cada um com sua cruel história de retorno". Então existe esse fenômeno de regresso ao país.
YS- Sim, mas é gente que regressa por razões pessoais. Há alguns que têm dívidas no exterior, outros que não suportam a vida lá fora. Enfim, uma multidão de razões.
SL- Então, apesar das dificuldades e das vicissitudes cotidianas, a vida não é tão terrível aqui, já que alguns regressam. A senhora acha que os cubanos têm uma visão idílica demais da vida no exterior?
YS- Isto se deve à propaganda do regime, que apresenta de uma maneira negativa demais a vida lá fora, com um resultado oposto para as pessoas, que idealizam demais o modo de vida ocidental. O problema é que, em Cuba, a emigração de mais de onze meses é definitiva. As pessoas não podem viver dois anos fora, voltar por um tempo e ir embora de novo etc.
SL- Então, se compreendo bem, o problema em Cuba é mais de ordem econômica, já que as pessoas querem abandonar o país só para melhorar seu nível de vida.
YS- Muitos gostariam de viajar ao exterior e poder voltar logo, mas as leis migratórias não permitem. Tenho certeza de que, se fosse possível, muita gente emigraria por dois anos e voltaria logo para ir embora de novo e regressar, etc.
SL- Em seu blog, houve comentários interessantes a respeito. Vários emigrados falaram de suas desilusões com o modo de vida ocidental.
YS- É muito humano. Você se apaixona por uma mulher e, três meses depois, perde suas ilusões. Compra um par de sapatos e, depois de dois dias, não gosta deles. As desilusões são parte da condição humana. O pior é que as pessoas não podem voltar.
SL- Mas as pessoas voltam.
YS- Sim, mas só de férias.
SL- Mas têm o direito de ficar todo o tempo que quiserem, vários anos inclusive, salvo o fato de perderem algumas vantagens vinculadas à condição de residente permanente, como os cupons de racionamento, a prioridade para a moradia etc.
YS- Sim, mas as pessoas não podem ficar aqui por vários meses, pois têm sua vida lá fora, seu trabalho etc.
SL- Isso é outra coisa, e é igual para todos os emigrados do mundo inteiro. Em todo caso, as pessoas podem perfeitamente voltar a Cuba quando quiserem e permanecer no país o tempo que quiserem. O único problema é que, se ficam mais de onze meses fora do país, perdem algumas vantagens. Por outro lado, custa-me compreender por que, se a realidade é tão terrível aqui, alguém que tem a oportunidade de viver fora, em um país desenvolvido, desejaria voltar para viver novamente em Cuba.
YS- Por múltiplas razões, por seus laços familiares etc.
SL- Então a realidade não é tão dramática.
YS- Não diria isso, mas alguns têm melhores condições de vida que outros.
SL- Quais são, para a senhora, os objetivos do governo dos EUA em relação a Cuba?
YS- Os EUA querem uma mudança de governo em Cuba, mas isso é o que quero também.
SL- Então a senhora compartilha um objetivo com os EUA.
YS- Como muitos cubanos.
SL- Não estou convencido disso. Mas por quê? Porque é uma ditadura? O que Washington quer de Cuba?
YS- Creio que se trata de um questão geopolítica. Há também a vontade dos exilados cubanos, que são levados em conta, e querem uma nova Cuba, o bem-estar dos cubanos.
SL- Com a imposição de sanções econômicas?
YS- Tudo depende de quem é a referência. Quanto aos EUA, creio que querem impedir a explosão da bomba migratória.
SL- Ah, é? Com a lei de Ajuste Cubano, que incita os cubanos a abandonar o país? Não é sério. Por que não anulam essa lei, então?
YS- Creio que o verdadeiro objetivo dos EUA é acabar com o governo de Cuba para dispor de um espaço mais estável. Muito se fala de Davi contra Golias para descrever o conflito. Mas o único Golias, para mim, é o governo cubano, que impõe um controle, a ilegalidade, os baixos salários, a repressão, as limitações.
SL- A senhora não acha que a hostilidade dos EUA contribuiu para isso?
YS- Não apenas acho que contribuiu, mas também que se transformou no principal argumento para se afirmar que vivemos em uma fortaleza assediada e que toda dissidência é traição. Acredito que, na verdade, o governo cubano teme que este confronto desapareça. O governo cubano quer a manutenção das sanções econômicas.
SL- Verdade? Porque é exatamente o que diz Washington, de um modo um pouco contraditório, pois, se fosse o caso, deveria suspender as sanções e assim deixar o governo cubano diante de suas próprias responsabilidades. Já não existiria a desculpa das sanções para justificar os problemas de Cuba.
YS- Cada vez que os EUA tentaram melhorar a situação, o governo cubano teve uma atitude contraproducente.
SL- Em que momento os EUA tentaram melhorar a situação? Desde 1960 só se reforçaram as sanções, à exceção da era Carter. Por isso é difícil manter esse discurso. Em 1992, os EUA votaram a lei Torricelli, com caráter extraterritorial; em 1996, a lei Helms-Burton, extraterritorial e retroativa; em 2004, Bush adotou novas sanções, e as ampliou em 2006. Não podemos dizer que os Estados Unidos tentaram melhorar a situação. Os fatos provam o contrário. Além disso, se as sanções são favoráveis ao governo cubano e servem apenas de desculpa, por que não eliminá-las? Não são os dirigentes que sofrem com as sanções, e sim o povo.
YS- Obama deu um passo nesse sentido - insuficiente, talvez, mas interessante.
SL- Ele apenas eliminou as restrições que Bush impôs aos cubanos e lhes impedia de viajar a seu país por mais de 14 dias a cada três anos, na melhor das hipóteses, e contanto que tivessem um membro direto de sua família em Cuba. Bush inclusive redefiniu o conceito de família. Um cubano da Flórida com apenas um tio em Cuba não podia viajar a seu país, porque o tio não era considerado membro "direto" da família. Obama não eliminou todas as sanções impostas por Bush, e nem sequer voltamos à situação que havia com Clinton.
YS-Creio que as duas partes deveriam, sobretudo, baixar o tom, e Obama o fez. Mas Obama não pode eliminar as sanções, pois falta um acordo no Congresso.
SL- Mas pode aliviá-las consideravelmente assinando simples ordens executivas, o que por enquanto ele se recusa a fazer. Está ocupado com outros temas, como o desemprego e a reforma da saúde.No entanto, teve tempo de responder à sua entrevista.
YS- Sou uma pessoa de sorte.
SL- A posição do governo cubano é a seguinte: não temos de dar nenhum passo em direção aos EUA, pois não impomos sanções aos EUA.
YS- Sim, e o governo diz também que os EUA não devem pedir mudanças internas, pois isso é ingerência.
SL- É o caso, não?
YS- Então, seu eu pedir uma mudança, também é ingerência?
SL- Não, porque a senhora é cubana e, por isso, tem direito de decidir o futuro de seu país.
YS- O problema não é quem pede as mudanças, e sim quais são as mudanças em questão.
SL- Não estou certo disso, porque, como francês, não gostaria que o governo belga ou o governo alemão se intrometessem nos assuntos internos da França. Como cubana, a senhora aceita que o governo dos EUA lhe diga como deve governar seu país?
YS- Se o objetivo é agredir o país, é evidentemente inaceitável.
SL- A senhora considera as sanções econômicas uma agressão?
YS- Sim, as considero uma agressão que não teve resultados e é uma múmia da guerra fria que não faz nenhum sentido, atinge o povo e tem fortalecido o governo. Mas repito que o governo cubano é responsável por 80% da crise econômica atual, enquanto 20% resultam das sanções.
SL- Volto a repetir: é exatamente a posição do governo dos EUA, e os números provam o contrário. Se fosse o caso, não creio que 187 países do mundo se preocupassem em votar uma resolução contra as sanções. É a 18ª vez consecutiva que uma imensa maioria dos países da ONU se pronuncia contra esse castigo econômico. Se fosse marginal, não creio que eles se incomodassem.
YS- Mas não sou uma especialista em economia, é minha impressão pessoal.
SL- O que a senhora aconselha para Cuba?
YS- É preciso liberalizar a economia. É claro que isso não pode ser feito de um dia para o outro, pois provocaria uma ruptura e disparidades que afetariam os mais vulneráveis. Mas é preciso fazê-lo gradualmente e o governo cubano tem a possibilidade de fazê-lo.
SL- Um capitalismo "sui generis", com a senhora diz.
YS-Cuba é uma ilha sui generis. Podemos criar um capitalismo sui generis.
SL- Yoani Sánchez, obrigado por seu tempo e disponibilidade.
YS- Eu que agradeço
por Lúcio de Castro
/luciodecastro- 18h58
- 27Feb
Matheus
Lucio, Ainda que atrasado, parabéns por mais um texto. E principalmente pela coragem de escrever sobre este assunto sob uma ótica tão reprimida. abraço
- 16h07
- 21Feb
Cainan Meira
Parabéns pelo texto Lúcio, precisamos de mais jornalistas como você que mostram os dois lados da história.
- 12h17
- 20Feb
Damir Ferrere
Já conhecia a entrevista, mas resolvi lê-la novamente, pois é uma aula de história. Aquela história tão escondida de nós pelos donos do mundo. Essa entrevista deixa claro que ou a blogueira é uma ignorante, pois ignora a história de seu próprio país e outros aspectos mundiais; ou a blogueira sabe e finge que não sabe contando com a ignorância de seus interlocutores, jornalistas inclusive. Se for essa última opção, é só mesmo mais um caso de falta de caráter.
- 10h15
- 17Feb
herberth. Atençao ! Atenção !
Lúcio, estou muito chateado com vc. O Santos perdeu para time pequeno da bolivia o Curintian empatou para time pequeno da venezuela e o FLa empatou com time médio da Argentina que é F na libertadores e vc malhou muito o FLA. Ta certo que o Joel armou um ferrolho, mas o cara não teve tempo nem de conhecer os jogadores, nem teve tempo de treinar, e obviamente se resgardou. trazendo um ponto que pode ser importante. Agora eu acredito que esse time vai dar o que falar na mão do Joel. Lembre-se ele fez muito mais com jogadores de qualidade tecnica inferiores a esses em um passado recente no FLA. De um crédito ao Joel.
- 09h42
- 17Feb
Rosi. R.
Parabéns, assim deveriam ser todos os reporteres, compromisso com a verdade e a publicação de só aquilo que se tem certeza! Excelente máteria!
- 10h23
- 16Feb
franklin
Adoro um jornal, acompanho diariamente pela internete os principais sitios .com.br. Lógico que, como toda a nossa mídia, essa informações provém das empresas das tais 4 familias dententoras da informação. Sempre fui curioso em saber alguma coisa com mais conteudo desta blogueira cubana tão aclamada por estas empresas. Para elas, essa moça representa os anseios do povo cubano, quase uma heroina na defesa dos direitos humanos e liberdade de expressão. Voce pode imaginar a agradavel surpresa que foi encontrar esta entrevista num blog de esportes. A blogueira está desmascarada. A sua matéria e a entrevista estão ótimas. Faço um pequeno reparo quanto a letra de Sampa citada no 1° paragrafo que é "a força da grana que ergue e destroi coisas belas". Meus parabens, mesmo com a ressaca, a volta foi muito boa.
- 23h51
- 14Feb
Tuca Zamagna
Sensacional a entrevista, Lucio. Salim Lanrani -- que repórter, que aula de jornalismo! -- implode as bases do "pensamento" de Yoni. Com fatos, com provas, com presença de espírito, com ilações brilhantes. Quando ela tenta, já em desespero de causa, desmerecer as conquistas sociais da revolução cubana comparando-as com as do governo de Fulgêncio Batista, o francês dá-lhe o golpe de misericórdia, simplesmente sacando aquele informe de 15 linhas do Banco Mundial. E dali até o final não permite que ela recupere o "rebolado", com uma chuva de argumentos sólidos, irrefutáveis. Chega a dar pena da moça, tadinha. Parabéns e obrigado pela divulgação! Abraços
- 16h52
- 14Feb
Allan Gomes Fernandes
Espetacular Lucio. Penso como você, mas não pensava assim até conhecer um russo, e vou compartilhar com você, caso leia, minha experiência. Fiz jornalismo e pedagogia, e durante a faculdade me aproximei da política, tudo é extremo guando jovem, fui um "socialista" e depois desencantei, mas maturidade do tempo nos traz novas perspectivas. Nesta época de desilusão com os "ismos" da política, criticava todos os "ditadores", conheci Yuri, aluno de intercambio, vivia criticando o socialismo de Stalin para frente bem como o Capitalismo de Putin esse que um dia ele cansou das asneiras que eu falava e disse: "Só o povo russo sabe o quão importante foi camarada Stalin". Não mudou muito a minha o opinião ele, mas mudou minha opinião sobre o povo russo. Antes de criticar esse ou aquela figura, devemos refletir sobre o contexto histórico se possível dentro da sua visão de mundo dela. Iremos descobrir coisas fascinantes e de como somos ignorantes por não ser capaz de olhar o mundo com outros olhos
- 20h31
- 13Feb
Jose Grego - Divinopolis MG
sensacional,vergonha alheia...a cada jargao manjado contra revolucionario o interlocutor devolvia um jab,um cruzado de esquerda no queixo da farsa...acabou caida pelo corner,desolada humilhada pela genuina inelectualidade de seu oponente e ainda querendo manter a pompa. alem da grana dos eua ta querendo e virar personalidade midiatica em cuba e ganhar status de revolucionaria em um provavel novo governo.ta e com inveja dos castro e ambicionado ocupar espaço semelhante na historia.
- 10h12
- 10Feb
Filipe Assunção de Taubaté-SP
Parabéns por mais post, que mostra além do que a maior parte do jornalismo brasileiro se propõe a divulgar. Além disso gostaria de lhe pedir que, se possível, enviar sua bibliografia, pois estou começando um trabalho sobre territorialidades no esporte e creio que será de grande ajuda, acrescentar algo sobre o seu trabalho também. Desde já muito obrigado.
- 16h37
- 09Feb
Reginaldo
Que sabonete essa blogueira! SE ela tem a cara de pau de perguntar quando houve uma invasao americana a Cuba, de duas uma, ou é idiota ou se faz de idiota para comer os idiotas. Ah, sim, o grupo Prisa (do El Pais) faz tempo nao é mais espanhol, é propriedade de fundos financeiros sediados em outro continente...
- 12h26
- 09Feb
Bruno
"SL- Não, porque a senhora é cubana e, por isso, tem direito de decidir o futuro de seu país." Não é a maneira mais inteligente de se posicionar "pró-Fidel". Particularmente repudio a atitude estadunidense frente à Cuba. No entanto, esse repudio não me basta para ser adepto do regime cubano. Frequentemente se diz: mas você é contra Cuba? Já foi lá, por acaso? O mesmo se aplica aos admiradores: Gosta tanto assim? Já foi lá? Nunca fui à Cuba, e já ouvi relatos elogiosos de quem foi, bem como críticas dirigidas ao sistema. Uma professor de Ciência Política esteve em Cuba e me contou que é menos dourado do que ela supunha. Enfim: é preciso, sim, repudiar o embargo que faz minguar a condição do povo de Cuba. Mas o argumento de que " a ditadura é um mal menor, necessário e justificado pelos exitos" não deveria, talvez, gozar de tanto prestígio.
- 16h49
- 08Feb
Gustavo H
A História, por mais fascinante que seja esta disciplina, não é e talvez nunca será uma ciência. Por mais que seus profissionais se empenhem em transmitir às próximas gerações os fatos, o fato maior desse processo é a vontade de seu vencedor. Digo isso, pois - em nenhum momento defendo as atrocidades cometidas - o líder do 3º Reich ascendeu ao poder com a anuências das lideranças que depois se viram obrigadas a agir contra ele, tendo em vista que também sabiam de seu potencial destruidor, e hoje ele é rotulado como ele é. Saddam era ditador. O Presidente do Iêmen ficou no poder 32 anos e recebeu asilo político nos EUA. Assim, esse texto - sobre o qual parabenizo o Lúcio por tê-lo selecionado - demonstra para mim exatamente essa dualidade entre o fato e a vontade de que algo se torne um fato.
- 22h00
- 06Feb
Adilson
Esse pequeno torcedor mostra "porque a torcida americana é sempre assim.." Eu fico com a pureza da resposta das crianças Pureza de alma x pobreza de espírito Pergunta do repórter do Globo Esporte, com um quezinho de ironia, para um menino de dez anos, na arquibancada de um jogo da segundona carioca: Fala aí pra gente, quais são as vantagens de torcer pro América? Resposta do menino: Vantagem eu não ligo muito pra isso não, eu sei que eu gosto...eu gosto muito do América!
- 16h41
- 06Feb
Andre Luís Corrêa - Londrina Pr.
Ou tudo é branco, ou tudo é preto. Análises são feitas através da lente que optamos usar. Pobres diabos concluem a duras penas uma universidade e eventualmente uma pós, e ou viram Tucanos cristão-novo, ou petistas extremados. É um saco dizer novamente, mas o erro, assim como o acerto, não é monopólio apenas de um lado! Sei que em função da histórica baixa estima do Brasileiro, para muitos foi inaceitável o Lula Presidente do Brasil. Assim como para o socialistas de botequim, engolir o FHC no Planalto. Nos últimos 100 anos, fizeram uma força danada para o socialismo não dar certo, e não deu. Por sua vez também fizeram uma força danada para o capitalismo dar certo, mas também não deu. As opiniões expressadas aqui, nada tem a ver com a blogueira de Cuba, tem a ver com o nosso quintal. Uma análise rápida do Brasil, nos últimos 16 anos, mostra tamanho continuísmos, que parece até que o Lula se elegeu com o apoio do FHC, e pelo PSDB. Parece Palmeirenses e Corinthianios discutindo!
- 16h14
- 06Feb
A.C. Naylor
O problema é que os eventuais êxitos de uma ditadura - e os da cubana são cada vez mais questionáveis, pois de que serve a educação, senão para dar autonomia ao cidadão, abrindo-lhe os portais de conhecimento, e não os fechando por meio de censura? - empalidecem frente ao pisoteamento sistemático de direitos que ela promove. Você, que é atento à questão dos direitos humanos, deve saber que a Conferência de Viena, de 1993, consolidou a ideia de que os direitos humanos são "indivisíveis, interdependentes e inter-relacionados", sendo impossível garantir uns à expensa de outros. Se as democracias cometem abusos condenáveis, e certamente cometem, como comprovam, só para ficarmos em atualidades, a tragédia de Pinheirinho, a vergonha de Guantánamo e a expulsão dos ciganos romenos da França, elas ao menos disponibilizam mecanismos de fiscalização, aptos a corrigir suas injustiças. A esquerda se "aggiornou", Lúcio, e defender a Revolução Cubana até hoje é não aprender com os próprios erros.
- 15h58
- 06Feb
A.C. Naylor
Lúcio de Castro é um grande jornalista. Acompanho seu trabalho - sério, independente e questionador - com muita atenção, pois ele tem a capacidade de revelar a grandeza e a miséria do esporte, atividade humana que suscita o que há de melhor e de pior no ser o humano. Lúcio, porém, se perde no seu amor incondicional ao regime cinquentenário dos irmãos Castro, agarrando-se à uma devaneio juvenil que o passar do tempo deveria ter-lhe ensinado ser uma ilusão. Lembro do seu olhar embevecido, ainda repórter do Sportv, entrevistando o corredor Dayron Robles, que acabara de conquistar a medalha de ouro nos 110m com barreiras em Pequim, ao perguntar se aquela vitória se devia ao fato de ele ser cubano - como se isso o dotasse de alguma especial força interior. O fato, amigo Lucio, é que não há nada que justifique a tirania. Mesmo os regimes mais bestiais têm "conquistas" a apresentar - e você, como historiador, seguramente sabe disso. (Continua no próximo post)
- 12h42
- 06Feb
Allan
Lúcio respeito sua opinião mas, há duas coisas que precisam ser levadas em conta: Quando a senhora Dilma fazia parte da oposição e lutava contra a ditadura no Brasil o presidente Carter dos EUA na época, veio ao Brasil e sentou em uma mesa para conversar com as oposições. E quanto ao massacre do Pinheirinho os mortos que a impressa tem notíciado a todo momento se acha um deles vivo, a polícia estava cumprindo uma ordem judicial de reintegração de posse, se você quiser ver o que é um massacre veja este link com vídeo http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/aqui-eu-lhes-ofereco-fatos-fotos-e-filme-de-uma-reintegracao-de-posse-ocorrida-no-acre-em-julho-estado-governado-pelo-pt-este-e-o-metodo-do-partido-de-dilma-e-de-gilberto-carvalho/ abraço
- 00h34
- 06Feb
Leonardo - Fortaleza
(Marcus 13h52 04Fev) Li a entrevista que reafirmo tudo que já disse. A questão não a Yoani mentir ou dizer a verdade, mas ela ter o direito de dizer o que quiser. O fato dela se expressar pelo blog é apenas um meio, mas não deve ser o único (e exclusivo meio de expressão). Por que não se expressar onde quiser, como quiser, contra ou a favor ao regime? Esse é o problema se ela diz a verdade ou não que cada parte apresente as provas e suas razões, que cada um leia a entrevista tirando suas próprias conclusões, para depois, querendo, expressa-la como bem quiser. Quando disse que não acho Salim Lamrani isento (não acho mesmo) quis firmar uma posição contraria a maioria deste blog, quis apresentar uma divergência com o autor do texto, e conclui isso não só pela entrevista, mas por outros textos escritos pelo Salim Lamrani. Eu, por exemplo, não concordo com muita coisa Yoani disse, mas defendo o direito dela poder ser expressar, independente de concordar com ela ou não.
- 17h21
- 05Feb
verasekine
Ô Lucio, Lúcio, cada vez que leio um texto de sua autoria, mais fã eu me torno. Vc é fera cara, um humanista, que não deixa a peteca cair, mesmo trabalhando numa área de lazer, o futebol, vc acha um jeitinho de analisar o que está se passando em volta. Não deixe seu olhar se perder ao dar de cara com êstes temas. Torcemos por vc. Um abração.
- 10h21
- 05Feb
alexandre - mooca sp sp
Incrível a atitude de Angela Merkel na viagem à China quando falou abertamente sobre o desrespeito aos direitos humanos, ao contrário da Dilma em Cuba.
- 20h22
- 04Feb
Marcos Ferreira / São Paulo
Parabéns Lucio pela reflexão e divulgação desta excelente entrevista!
- 13h52
- 04Feb
Marcus
Leonardo, a vc que diz que Salim Lamrani não é isento, só tenho uma pergunta "E?" É uma entrevista, oras. Vc leu? Tente mais uma vez, leia as respostas da Yoani. E afinal, "o problema é ela não poder expressar suas ideias"? Mesmo? Parece-me que ela expressa todas as suas ideias em seu blog, da forma que bem entende. Sim, o fato dos cubanos não poderem viajar para fora do seu país é realmente um problema. E é o problema de fato, ao lado da ausência de eleições em Cuba. O resto é cortina de fumaça e conversa pra boi dormir.
- 08h59
- 04Feb
Alter Elvas
Excelente texto, claro que todo planfeto, reportagem ou qualquer coisa escrita segue uma posição, não existe neutralidade no mundo. Contudo mostra um outro lado, uma nova visão que os opositores tentam esconder. Como professor de História levo muito a sério não só os fatos, mas o silêncio que estes fatos produzem, saber escutar este silêncio e fundamental para construirmos um entendimento.
- 07h55
- 04Feb
Ezio Auditore Firenze, Vitória-ES
A midia ocidental adora esconder as coisas. Só diz as coisas que lhe convém... e vão atacar o Irã com essa mesma tática. Vide o Caso " A PRIVATARIA TUCANA" maior sucesso de vendas nos ultimos tempos, pouco foi citado na imprensa...
- 03h47
- 04Feb
John Angellus - Rio de Janeiro
Lúcio. Sou seu fan há tempos, sempre li suas crônicas, sempre o acompanhei "ATÉ" quando tu era da Sportv e deu SHOW naquele programa entrevistando as jogadores Cubanas de Voleibol Feminina Adulta...Outro dia, conversando com "colegas" num barzinho e eles falando que "Cuba é isso, Cuba é aquilo" e vos perguntei:_ Vcs já foram á Cuba? e eles apenas responderam:_ É só tu assitir o JN que tu sabes, cara'!! Bem, parei com eles...JN parâmetro de idoneidade? Deixo meu abraço pra tu e na ESPN por ter um profissional qualificado e que vem a público sem "mêdo" da censura ditadorial desse país..Por favor, não canses!!! Precisamos de seres humanos como tu...grande abraço
- 01h13
- 04Feb
Leonardo - Fortaleza
Provocado pelo texto do Lúcio, procurei saber mais sobre SALIM LAMRANI. Sinceramente dizer que ele é uma fonte isenta é no mínimo temerário. Li seus textos sobre Venezuela e Cuba, e de isento não tem nada. Lamriani é claramente alinhado e defensor da ideologia castrista e de Hugo Chavez, não vou nem fazer considerações sobre isso, sugiro, a quem quiser, também pesquisar e tirar suas próprias conclusões. Em tempo Lúcio, você poderia seguir o mesmo conselho que deu aos seus colegas: evitar a contaminação ideológica para analisar o caso. Por mais que não concorde com Yoani o problema é ela não poder expressar suas ideias contra um regime que ela (e parece outros cubanos) não concorda, seja no lugar qual for inclusive em outro país. Ideias, Lúcio, tudo que se quer é expressar ideias, como você expressou a sua e eu posso expressar a minha, livremente. Hoje, pela 19ª o governo cubano proibiu a blogueira de sair de Cuba.
- 23h46
- 03Feb
RICARDO JOSÉ - MACEIÓ -AL
Parabéns Lúcio, por mais um excelente texto.
- 22h59
- 03Feb
Walmar Freitas Porto
Belo trabalho! Sei não,mas, ao ler a entrevista fica-se com a impressão de que a blogueira recebe um jabá maneiro de Tio Sam para tocar a harpa a seu favor. Agora, cá entre nós, será mera coincidencia que a mesma imprensa (Folha ,Estadão, Globo e Veja) que mantém o livro "A Privataria Tucana" sob censura, é a mesma que está incensando essa mulher?
- 20h15
- 03Feb
Vanderlei Ortiz
Lúcio,muito obrigado pelo texto e pela entrevista.É muito bom saber que temos jornalistas como você e em um Canal de Esportes que lhe dá a liberdade de escrever.Parabéns a você e a ESPN.
- 20h06
- 03Feb
Vitor Urias
Olá Lúcio. Eu acho importante mostrar aqui no espaço de comentários a satisfação em ler bons textos já que o reconhecimento é algo muito importante e você merece todo reconhecimento do mundo com todos esses belos posts do seu blog. Muito obrigado por por me conceder mais um ótimo momento lendo um de seus textos.
- 18h56
- 03Feb
Renato Ap. Fabriga
Que maravilha este post, Lúcio. Obrigado! A entrevista com a Yoani eu até já tinha lido no blog conversa afiada, com toda suas contradições e dificuldades em esconder o rabo preso. Mas o seu blog, velho, tá muito bom. Tá realmente dando gosto passar por aqui e perder (ganhar) uns minutos lendo seu texto. Valeu!
- 18h47
- 03Feb
ananias
Também seria de bom tom deixar as ideologia de lado, tais como achar que uma revolução, que se autodenomina do povo, tem o direito de impedir as pessoas, ou seja, o povo, de opinar contra ela. Se a blogueira não é uma pessoa em que se possa confiar, se ela está a serviço de interesses obscuros tudo isso diz contra ela, o que não justifica aceitar um estado onde se prende pessoas por discordar da ideologia que está no poder, sem julgar se tais críticas são corretas ou não, mas essa revolução onde já morreram mais de 400 presos politicos, merece sim ser denunciada, da mesma forma como o crimes americanos no afegnistão e em todos os outros lugares onde os direitos humanos tenham sido colocado de lado. Por isso ao dizer que devemos analisar sem preconceitos, comece a tentar fazer um análise não neutra (pois isso já se provou ser uma utopia), todavia com discernimento necessário.
- 18h22
- 03Feb
rafael silveira
Cara, fantástica entrevista!! Obrigado, Lucio.
- 17h57
- 03Feb
Ezio Auditore Firenze, Vitória-ES
caramba essa matéria tem que ficar na capa do portal da Espn por dias... Espetacular!!! Parabens Lucio!!!
- 16h48
- 03Feb
José Augusto
Lúcio, você é um cara de muita sensibilidade e muito competente, mas como todo esquerdista vê o mundo e a sociedade de forma deturpada. Como Cuba pode ser o país latino-americano que mais respeita os direitos humanos, meu caro? E a liberdade de expressão? E os direito de ir e vir e de propriedade? Pouco me importo com outras características da "blogueira", como vc se refere, mas a luta dela por liberdade é justa, e isto basta. Cuba obteve, nestes tempos de domínio castrista, sucessos nas áreas de educação, saúde e esportes, mas... E daí, se as pessoas não podem nem comer direito? Segundo pessoas como você, toda a culpa pelo sofrimento dos "comandados" de Fidel é do embargo. Equívoco, meu caro. O sistema é inviável e só conseguiu se sustentar enquanto estava sob o alto patrocínio da URSS, que comprava açúcar da ilha a preço superfaturado. E a propósio, Lúcio, esta emissora que te dá toda liberdade para falar o que bem entender é norte-americana, do grupo Disney.
- 16h25
- 03Feb
Cintia de Faria
Parabéns, Lúcio. Com tantos artigos mal intencionados, que deturpam a realidade, de colunistas cinzas (que só vestem camisas sociais azuis e trabalham em certas revistas por aí), chega a me emocionar, como graduada em ciências sociais, em ler algo tão elucidador, que se preste a mostrar certo ponto de vista que a mídia cinza se esquiva. Tem que ter ética para ser jornalista, e fico contente que tenha dado espaço para este assunto tão importante em um portal de esportes, demonstrando que aqueles que amam o esporte são injustamente apontados como seres meramente alienados e que não tenham consciência do mundo que nos cercam. Mais uma vez, parabéns!
- 16h12
- 03Feb
Caio
grande Lúcio, por favor escreva sobre o que de fato aconteceu no egito, vc é um dos jornalistas q vejo como mais qualificado para isso. é preciso falar sobre o q está por trás da tragédia, ao invés do que a imprensa tenta reduzir a mais um briga entre facções. veja o ótimo texto da Carta Maior sobre o ocorrido: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19530 comente Lúcio, por favor.
- 15h50
- 03Feb
marcelo maldini
Obrigado pelo texto. Excelente! Parabéns.
- 15h27
- 03Feb
Saulo
Olá Lúcio. Esclarecedores o texto e também a entrevista. Conforme você aponta em seu texto, não se pode deixar enuviar as questões referentes à Cuba e aos restantes países do ocidente e oriente. Tudo é muito relativo. Há exclusões extremas nesses dois mundos, políticas e econômicas, sobretudo. Porém, não posso concordar com os 100% de educação em Cuba, já que é um número enviesado pela lógica "libertadora" e "revolucionária", que exclui, por exemplo, a matança cruel não só de enormes grupos de indivíduos em Cuba em nome de uma pretensa igualdade, mas também em outros países do bloco socialista, como é sabido dos tempos leninista e stalinista. Já em relação à entrevista, questões muito profundas foram colocadas à entrevistada, contudo, como quem mais se pronunciou foi o entrevistador, fiquei mais informado sobre as opiniões do próprio Lamrani sobre Cuba e os EUA do que da Yoani. Assim, tendo a ficar com a opinião dela: "O que faz falta é despenalizar a prosperidade". Abraço!
- 15h12
- 03Feb
Adriano Baroni
Irretocável! Grande texto, magnífica entrevista e um grande serviço ao debate. Abraço
- 15h06
- 03Feb
Eduardo Vasco Neto - SP
Lúcio de Castro, eu sou seu fã, assisto todos os dias o Bate Bola e acho muito interessante você, o João, o Flavinho, informarem também um pouco da nossa realidade fora do futebol, na sociedade, a situação em que vivemos e a vergonha que são algumas atitudes do ser humano. Belo texto, muito bom que não seja toda a imprensa que, comandada por seus patrões multimilionários que ganham esse dinheiro com a corrupção, manipulem o nosso povo com desinformações e têm a coragem de esclarecer o que os outros não querem que seja ouvido. Você é uma inspiração para os futuros jornalistas e para todos que leem teu blog e assistem o BB. Eu tenho extrema admiração por você e vou compartilhar o teu post nas redes sociais quantas vezes forem necessárias, para que as pessoas abram os olhos, meu amigo. mando-lhe um "saludo" para você, que, com o sobrenome de um dos maiores representantes dos povos de todo o planeta, tem um coração imenso e grande senso de humanidade. Um abraço de seu fã de 17 anos!
- 14h44
- 03Feb
Leonardo - Fortaleza
Li o texto e continuo achando que Cuba uma ditadura violadora direitos humanos, alias tanto você, Lúcio, como o entrevistador reconhecem isso no mesmo texto. O fato de outros países também violarem direitos humanos não justifica os erros do regime castrista (um erro não justifica outro). Não vou me alongar muito, acho suficiente dizer que um país onde o cidadão para sair dele tem que ter autorização do governo se assemelha mais a uma prisão (pois que se tente negar) do que um país livre. Por fim uma observação. A Yoani é acusada pelos comunistas de ser uma agente "americana" e os anticastristas a acusam de ser agente castrista.
- 14h43
- 03Feb
Luiz Guilherme
Muito bom, Lúcio. É sempre animador ver uma voz equilibrada, na contramão da demonização que a mídia costuma fazer de Cuba. Conheço bem a ilha, já vivi lá por quatro anos no fim da década de 80 e mais um ano e meio, recentemente. O país não é perfeito, existem muitos problemas, inclusive injustiças. Mas comparado com o que acontece em outros lugares e a manipulação ideológica que sofremos por parte da grande mídia e do ' poder' estabelecido em diversos países, o que acontece lé é fichinha.
- 14h39
- 03Feb
helio nascimento
Como seria bom se tivéssemos mais lúcios na imprensa. Parabéns pela seu posicionamento sempre voltado para o bem. Desculpe a ousadia, mas despeço-me com frase sua. Um abraço, amigo.
- 14h12
- 03Feb
Rafael Dias - São Paulo
Sou seu fã em seus comentários na ESPN, mas só digo uma coisa e pra todos os socialistinhas que vem aqui: é MUITO fácil ser socialista em um país capitalista como o Brasil! Quero ter liberdade para se expressar la em Cuba, um país comunista parado no tempo. Se precisamos de bons exemplos, nos peguemos em Suécias, Austrálias, Holandas, Noruegas e Dinamarcas da vida. Países capitalistas com uma qualidade de vida excepcional para seus habitantes! É isso que temos que fazer. Socializar o dinheiro dos outros é fácil.
- 13h51
- 03Feb
Henrique
Essa blogueira é uma picareta de marca maior, e a imprensa brasileira salvo raras excessões é do mesmo quilate !!
- 11h01
- 03Feb
Deyse
Lúcui querido, usando o seu texto anterior quando você fala de um certo cansaço, estou muito cansada de discussões ideológicas porque acabo ouvindo barbaridades que não tenho mais saúde para ouvir. Esse seu novo texto com a entrevista bastante esclarecedora me deu muita alegria, me fez sentir acompanhada, como sempre que leio seus textos. Mantenha-se assim, não canse, faz uso dessa trincheira com esse brilhantismo de sempre. Beijos
- 10h53
- 03Feb
Renato D Fialho Martins
Parabéns pela reportagem!
- 01h52
- 03Feb
Guilherme
Fantástico, Lúcio! essa mulher é um engodo! meus parabéns! abraços!
- 09h24
- 09Mar
- 02h52
- 02Mar
Os vendilhões do templo de Momo - como querem acabar com o carnaval carioca
Nos blocos de rua e nos desfiles, um novo cenário se desenha
- 17h15
- 17Feb
Ricardo Teixeira pode ser enquadrado por depósito em conta de filha
Depósito de Sandro Rosell para filha pode complicar Teixeira
Lúcio é carioca, formado em História e Jornalismo. Conquistou os principais prêmios de jornalismo: Embratel (2003 e 2006), TV Globo (2005,2006 e 2009) Anamatra Direitos Humanos 2009, Prêmio Direitos Humanos MJDH/OAB 2008 e 2010, Ibero-Americano (UNICEF-EFE) Fundación Nuevo Periodismo (dirigida por Gabriel Garcia Márquez) e Vladimir Herzog (2011)
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