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Leonardo Bertozzi
O destino "ajudou" AVB ao tirar Bosingwa de campo, lesionado, para que entrasse Ashley Cole ainda no início da partida (ora, se Cole, voltando de lesão, estava pronto para jogar 80 minutos, também estaria para jogar 90, certo?). Mas Meireles continuou em campo, sem dar proteção à defesa e marcando de longe no gol de empate do Napoli, de Lavezzi.
A defesa do Napoli já não é um ponto forte da equipe, e a má atuação individual de Paolo Cannavaro acentuou o problema. Foi de uma falha do zagueiro que saiu o gol de Mata - único jogador de linha do Chelsea a ter um desempenho aceitável. Até aquele momento, o Napoli já havia criado duas oportunidades claras de gol, com Cavani e Maggio esbarrando em Cech.
Em resumo, foi um jogo em que nenhuma das retaguardas estava à altura desta fase da Champions League. Com o recém-chegado Cahill nervoso e David Luiz se mantendo propenso a erros, o Chelsea permitiu que o Napoli rapidamente se recuperasse do baque. Depois do gol de Lavezzi, Cavani ainda se meteu à frente de Ivanovic para marcar de ombro.
A combinação Cavani-Lavezzi ainda funcionou para o Napoli chegar ao terceiro gol, no segundo tempo. Villas-Boas tentou reconstruir o time com as entradas de Essien e Lampard por Raul Meireles e Malouda, mas nada adiantou. O desastre poderia ser maior se Ashley Cole não salvasse um gol em cima da linha.
O Chelsea não vence há cinco jogos, algo difícil de aceitar para um time com tanto investimento. O aproveitamento de vitórias do técnico português é de 44,74%, o pior de qualquer treinador dos Blues desde 1993. Para efeito de comparação, Luiz Felipe Scolari foi demitido em fevereiro de 2009 com 55,56% de vitórias.
O confronto segue aberto, mas é difícil imaginar, hoje, o Chelsea passando um jogo sem levar gol, especialmente contra um Napoli letal nos contra-ataques. Tudo indica que a fábula napolitana continuará e que "O' Surdato 'Nnamorato" ecoará novamente no estádio San Paolo em um jogo da Champions.
Adriano Galliani declarou, com razão, que não via o Milan jogar tanto na Champions desde a vitória por 3 a 0 sobre o Manchester United, na semifinal de 2007. Naquela noite, um Kaká inspirado foi a força motriz do time em campo. Desta vez, foi Ibrahimovic o grande nome, o que representa uma ótima notícia para os milanistas.
Indiscutível na Serie A, onde foi campeão por onde passou, Ibra foi um grande ponto de interrogação na competição europeia nos últimos anos. Seu futebol costumava sumir nos momentos decisivos - como no ano passado, quando foi um fantasma na eliminação diante do Tottenham nesta mesma fase.
Em vários momentos, contra a frágil defesa dos Gunners, o sueco parecia um profissional jogando entre os amadores, impondo-se pela técnica e pela física.
Vale destacar também a importância dos coadjuvantes. O retorno de Boateng foi importantíssimo para um meio-campo que, na falta de um armador criativo, depende muito da dinâmica do jogador de Gana. Boateng faz muito bem a ligação com o ataque, mesmo sem ser um meia clássico, e ainda é capaz de golaços como o que marcou para abrir o placar.
Também há Robinho, que marcou duas vezes, recuperando-se dos erros de passe e conclusão que vinha cometendo no início. Robinho é o melhor parceiro possível para Ibrahimovic, e sua importância para o time muitas vezes é desprezada pelos críticos. Talvez por algum resquício de sua exagerada ambição em se tornar o melhor jogador do mundo.
O ex-santista dificilmente ganhará prêmios individuais importantes, mas aceitou o papel secundário no time e tem colaborado de maneira determinante. É, sem dúvida, seu melhor momento no futebol europeu.
Qualquer análise sobre o Milan de hoje tem de passar também por Thiago Silva, zagueiro que acumula atuações impecáveis e hoje é um obstáculo duro para o melhor dos atacantes. O marechal de uma defesa que, na partida de quarta-feira, recebeu muito boa proteção de Van Bommel.
Do lado do Arsenal, Arsène Wenger não poupou palavras para criticar a atuação de seus jogadores, mas o time que hoje tem à disposição é sua responsabilidade. A incapacidade de substituir Fàbregas e Nasri e o desespero na contratação de jogadores por atacado no fim da janela de agosto mostrou falta de planejamento e ambição, algo que tem afetado o clube nos últimos anos.
É a pior fase dos Gunners nos 15 anos de Wenger, e o principal jogador do time, Robin van Persie, certamente terá muito a pensar com relação ao seu futuro. No fim desta temporada, lhe restará apenas um ano de contrato. Como encontrar motivações para seguir?
Van Persie carrega o time nas costas, mas a sensação é de que falta o espírito vencedor de outros tempos, a liderança de um Patrick Vieira, por exemplo. A humilhação de San Siro só acrescenta a uma temporada que já teve, entre outros vexames, uma goleada de 8 a 2 do Manchester United.
- 23h27
- 12Feb
No dia 27 de abril de 1993, o avião da Força Aérea de Zâmbia que levaria a seleção do país ao Senegal, para um jogo das eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, caiu no oceano segundos depois de decolar na capital do Gabão, após uma parada para reabastecimento. Morreram todos a bordo, incluindo 18 jogadores e a comissão técnica. A perícia atestou um misto de falha técnica e erro humano.
Desaparecia, assim, a geração mais promissora que o país já havia testemunhado. Alguns daqueles jogadores estiveram na goleada de 4 a 0 sobre a Itália, nas Olimpíadas de 1988, em um dos resultados mais surpreendentes da história do futebol. Kalusha Bwalya, autor de três gols naquele confronto histórico, escapou do destino dos companheiros - jogava na Europa e iria direto a Dacar.
Bwalya, hoje, é o presidente da federação zambiana. Após a vitória na semifinal contra Gana, ele liderou a ida do elenco à praia de Libreville para uma homenagem aos mortos de 1993.
Honrar com o título os heróis que se foram era um sonho improvável no início da competição. E mesmo com o time na final, superar as estrelas da Costa do Marfim, que chegaram com 100 por cento de aproveitamento e nenhum gol sofrido, seria tarefa árdua. Mas Zâmbia teve uma exibição impressionante diante dos Elefantes e poderia até ter vencido no tempo normal.
No caminho até a decisão, a Costa do Marfim seguiu a filosofia do técnico François Zahoui: garantir que a defesa permanecesse invicta, já que lá na frente havia jogadores capazes de garantir pelo menos um gol. Só que, justamente na final, as estrelas falharam. Drogba perdeu pênalti no segundo tempo e Yaya Touré, melhor jogador africano de 2011, foi figura nula em campo.
Na primeira etapa, Drogba havia protagonizado uma das cenas mais bonitas da competição. O atacante do Chelsea foi consolar o veterano lateral Musonda, que se machucou logo no início da partida e deixou o campo chorando.
A lembrança que perseguirá Drogba, no entanto, é seu pênalti cobrado para as nuvens. Em 2006, na última final dos marfinenses até hoje, ele desperdiçou sua cobrança na decisão por pênaltis que deu o título ao Egito. Era a chance de se redimir. A coragem para bater - e converter - o quinto tiro no desempate contra Zâmbia não servirá de consolo.
Zâmbia, ao longo do torneio, chamou a atenção por resgatar um pouco do futebol africano de antigamente, com espaço para o improviso e o jogo por instinto. Mas o técnico Hervé Renard, francês, sabia que seria necessário equiparar-se taticamente à Costa do Marfim para ter chances na final. E assim foi.
Com um 4-4-2 ortodoxo, Renard limitou seus laterais ao jogo defensivo e dificultou as investidas de Gervinho e Kalou, sobretudo no primeiro tempo. A marcação atenta dos volantes deu pouco espaço a Yaya Touré, fazendo com que a criação muitas vezes ficasse nos pés de quem não tinha talento para isso.
Por duas vezes, o goleiro Barry salvou a Costa do Marfim. Logo no segundo minuto de jogo, ele segurou uma bomba rasteira de Sinkala após jogada ensaiada em escanteio. No primeiro tempo da prorrogação, Barry usou a ponta do pé para impedir o gol de Chris Katongo, eleito o melhor jogador da final e do torneio.
Na decisão por pênaltis, o rigor da arbitragem mandou repetir o pênalti de Bamba defendido por Mweene, goleiro de Zâmbia que já havia parado Asamoah Gyan na semifinal. Mas Mweene teve sucesso contra o outro zagueiro adversário, Kolo Touré, e contou com a sorte ao ver Gervinho isolar na sequência. Se Kalaba perdeu a chance de ficar na história com a cobrança final, Sunzu não desperdiçou.
Uma final histórica, dramática, para ser lembrada por muitos anos. Não será fácil aliviar a dor marfinense por mais uma oportunidade que fica pelo caminho com a melhor geração de sua história. O jeito é tentar de novo.
Enquanto isso, em Zâmbia, prepara-se uma festa inesquecível para os campeões. Que não venceram apenas por eles. Venceram por uma inteira nação.
E por Efford Chabala.
Por Richard Mwanza.
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Por Patrick Banda.
Receitas em dias de jogos, acordos comerciais e direitos de transmissão. Considerando apenas estes três fatores, a empresa de consultoria Deloitte levanta anualmente os 20 clubes que geram mais dinheiro. O relatório sobre a temporada 2010/11, divulgado nesta semana, mostra algumas conclusões interessantes e indicam o caminho aos dirigentes, que nos próximos anos terão de lidar com as exigências do fair-play financeiro da Uefa - ou seja, os gastos dependerão das receitas.
O Real Madrid lidera a lista pelo sétimo ano consecutivo, seguido pelo Barcelona. A receita de quase 480 milhões de euros representa um crescimento de 9% em relação à temporada anterior, deixando claro que não levará muito tempo para superar a marca de 500 milhões.
Logo a seguir vem o Barcelona, que, vale lembrar, teve sua última temporada sem patrocinador de camisa. A próxima lista já levará em consideração o valioso contrato com a Qatar Foundation, de 30 milhões de euros/ano. Portanto, há uma possibilidade real de a liderança mudar de mãos no ano que vem.
Os 20 primeiros colocados geraram um total de 4,4 bilhões de euros, o que representa mais de um quarto da soma do mercado europeu. Eles vêm das cinco principais ligas da Europa (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França) e todos, com exceção do Hamburgo, estiveram em competições europeias - 14 na Champions League, cinco na Europa League.
Uma campanha duradoura na Champions tem peso positivo nas contas. Basta ver a entrada do Schalke 04, semifinalista na última temporada, no grupo dos dez primeiros. Veja abaixo a lista completa.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
Comercial
|
TV
|
Europa
|
|
Real Madrid
|
479,5
|
123,6
|
172,4
|
183,5
|
UCL
|
|
Barcelona
|
450,7
|
110,7
|
156,3
|
183,7
|
UCL
|
|
Man Utd
|
367
|
120,3
|
114,5
|
132,2
|
UCL
|
|
Bayern
|
321,4
|
71,9
|
177,7
|
71,8
|
UCL
|
|
Arsenal
|
251,1
|
103,2
|
51,2
|
96,7
|
UCL
|
|
Chelsea
|
249,8
|
74,7
|
62,8
|
112,3
|
UCL
|
|
Milan
|
235,1
|
35,6
|
91,8
|
107,7
|
UCL
|
|
Internazionale
|
211,4
|
32,9
|
54,1
|
124,4
|
UCL
|
|
Liverpool
|
203,3
|
45,3
|
85,7
|
72,3
|
UEL
|
|
Schalke 04
|
202,4
|
37,2
|
90,9
|
74,3
|
UCL
|
|
Tottenham
|
181
|
47,9
|
41,1
|
92
|
UCL
|
|
Man City
|
169,6
|
29,5
|
64
|
76,1
|
UEL
|
|
Juventus
|
153,9
|
11,6
|
53,6
|
88,7
|
UEL
|
|
Marseille
|
150,4
|
25,6
|
46,6
|
78,2
|
UCL
|
|
Roma
|
143,5
|
17,6
|
34,8
|
91,1
|
UCL
|
|
B.Dortmund
|
138,5
|
27,7
|
78,7
|
32,1
|
UEL
|
|
Lyon
|
132,8
|
19
|
44,2
|
69,6
|
UCL
|
|
Hamburgo
|
128,8
|
41,8
|
60,3
|
26,7
|
-
|
|
Valencia
|
116,8
|
27,5
|
22,9
|
66,4
|
UCL
|
|
Napoli
|
114,9
|
22
|
34,9
|
58
|
UEL
|
A necessidade de fazer dinheiro com o estádio tem sido um tema crucial nos últimos anos. Estruturas obsoletas e a falta de estádios próprios costumam custar caro. É um problema visível na Itália. Na lista abaixo, a porcentagem da receita em dias de jogos sobre a receita total evidencia a defasagem. No próximo estudo, a Juventus deve ter notável melhora, por causa de seu novo estádio. Algo que deve servir como referência para os outros clubes da Serie A.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
%
|
|
Juventus
|
153,9
|
11,6
|
8
|
|
Roma
|
143,5
|
17,6
|
12
|
|
Lyon
|
132,8
|
19
|
15
|
|
Milan
|
235,1
|
35,6
|
15
|
|
Internazionale
|
211,4
|
32,9
|
16
|
Um efeito colateral desta dificuldade é a dependência excessiva do dinheiro da televisão. Oito dos 20 clubes têm nos direitos de transmissão mais da metade de suas receitas. Destes, quatro são italianos.
|
Clube
|
Receita total
|
TV
|
%
|
|
Roma
|
143,5
|
91,1
|
64
|
|
Internazionale
|
211,4
|
124,4
|
58
|
|
Juventus
|
153,9
|
88,7
|
57
|
|
Valencia
|
116,8
|
66,4
|
57
|
|
Marseille
|
150,4
|
78,2
|
52
|
|
Lyon
|
132,8
|
69,6
|
52
|
|
Tottenham
|
181
|
92
|
51
|
|
Napoli
|
114,9
|
58
|
51
|
A diferença no formato da venda dos jogos nacionais para a televisão se faz notar nos números de Real Madrid e Barcelona. É verdade que eles não respondem sozinhos pela superioridade da dupla, mas uma comparação com o Valencia, terceiro espanhol em receita, mostra que o abismo é exagerado. Ao contrário das outras quatro ligas, a Espanha não vende seus direitos coletivamente. Repatir melhor o dinheiro da TV não ameaçaria a supremacia dos dois grandes, mas daria mais chances de crescimento aos demais.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
Comercial
|
TV
|
|
Real Madrid
|
479,5
|
123,6
|
172,4
|
183,5
|
|
Barcelona
|
450,7
|
110,7
|
156,3
|
183,7
|
|
Valencia
|
116,8
|
27,5
|
22,9
|
66,4
|
Na Inglaterra, os números são bem mais próximos. As receitas inferiores de Liverpool e Manchester City com a televisão se explicam pela ausência na Champions. Vale observar ainda a importância do estádio para o Arsenal, que fatura mais que a soma de Liverpool e Tottenham - não por acaso, clubes que têm pressa em seus projetos de novas arenas.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
Comercial
|
TV
|
|
Man Utd
|
367
|
120,3
|
114,5
|
132,2
|
|
Arsenal
|
251,1
|
103,2
|
51,2
|
96,7
|
|
Chelsea
|
249,8
|
74,7
|
62,8
|
112,3
|
|
Liverpool
|
203,3
|
45,3
|
85,7
|
72,3
|
|
Tottenham
|
181
|
47,9
|
41,1
|
92
|
|
Man City
|
169,6
|
29,5
|
64
|
76,1
|
O estudo da Deloitte ainda trouxe uma análise sobre ligas de mercados emergentes, incluindo o Brasil. A consultoria afirma que os times de maior receita, Corinthians e São Paulo, entrariam em uma lista dos 50 maiores do mundo, faturando entre 70 e 80 milhões de euros por ano.
A avaliação da empresa sobre a liga brasileira é de que os clubes têm se beneficiado de ótimos acordos de patrocínio e direitos de transmissão internos por causa de suas grandes torcidas. Porém, a dificuldade para encher os estádios e para vender o campeonato internacionalmente são fatores que atrapalham.
Diz o estudo: "A média da temporada 2011 na Série A brasileira foi inferior a 15.000, bem atrás das principais ligas europeias e dos 64 mil que foram ver São Paulo x Flamengo, maior público do campeonato. A possibilidade de públicos desta magnitude mostra o potencial dos clubes brasileiros. O Brasil receberá a Copa de 2014, e o investimento em estádios dará uma excelente oportunidade para os clubes melhorarem a experiência em dias de jogos para os torcedores".
A Deloitte lembra ainda que o fuso horário atrapalha a negociação do campeonato para mercados como Europa e Ásia, e que a Copa Libertadores enfrenta a mesma dificuldade.
Em sua carreira como jogador, Zahoui ficou marcado como o primeiro africano a atuar na Serie A italiana. Foi em 1981, quando assinou com o Ascoli. O futebol italiano havia reaberto suas fronteiras no início da década, permitindo um estrangeiro por equipe (seriam dois a partir de 1982, e três a partir de 1988, até a revolução da Lei Bosman em 1995).
Descoberto em um torneio de jovens em Marselha, Zahoui, que atuava como meia-atacante, acabou sendo apresentado mais como folclore do que como reforço. A ponto de o presidente do Ascoli na época, o fanfarrão Costantino Rozzi, ironizá-lo logo na chegada: "Zahoui é a prova de como o Ascoli não possa se permitir estrangeiros, a não ser aqueles de dois tostões".
Zahoui tinha 20 anos e sofreu com dificuldades de adaptação. Algumas lendas urbanas, nunca confirmadas, dizem que ele teria se apresentado descalço ao primeiro treino. O fato é que ele nunca caiu nas graças do técnico Carlo Mazzone, e suas 11 partidas ao longo de dois anos foram aparições no segundo tempo.
Negociado em 1983, fez uma carreira estável no futebol francês, com as camisas de Nancy e Toulouse. Depois de pendurar as chuteiras, retornou à África para trabalhar como treinador.
Em 2010, Zahoui foi escolhido para substituir Sven-Goran Eriksson depois da eliminação na primeira fase da Copa do Mundo. Quis o destino que ele estreasse justamente contra a Itália - e vencesse por 1 a 0. Apenas o começo de uma trajetória que pode culminar na primeira conquista da "geração dourada" do futebol marfinense.
- 01h00
- 09Feb
Será destino da Costa do Marfim acabar com um jejum de 20 anos justamente quando aposta em um técnico local após sucessivas experiências frustradas com professores estrangeiros?
Vamos descobrir no domingo, quando as duas seleções se enfrentam na final, em Libreville.
Enquanto isso, talvez Asamoah Gyan perceba que não é seu destino cobrar pênaltis em jogos decisivos pela seleção. Em 2010, ele teve a chance de levar Gana à semifinal da Copa do Mundo, mas acertou o travessão. Nesta quarta, poderia ter feito 1 a 0 contra Zâmbia logo no início da partida, mas sua cobrança esbarrou no goleiro Mweene.
Gyan teve um torneio apenas razoável e acabou substituído no segundo tempo. Gana, que tem uma defesa forte, pagou pela dificuldade em criar jogadas. Apesar do domínio da posse de bola, teve poucas chances. Zâmbia definiu o placar em sua única oportunidade clara, graças ao talento do jovem Mayuka, único do elenco a atuar em um time de primeira divisão da Europa - o suíço Young Boys.
Gana completa 30 anos sem título, e fica a dúvida sobre o futuro do técnico Goran Stevanovic, que havia prometido colocar o cargo à disposição em caso de fracasso no torneio. Não chegar à final, com o elenco que tinha à disposição, certamente fica aquém das expectativas.
A seleção do Mali, adversária da Costa do Marfim, havia vencido apenas uma das quatro semifinais que já havia disputado - justamente a primeira, em 1972. Os Elefantes partiram para cima e colocaram duas bolas na trave nos primeiros 15 minutos.
Mali, liderado por Seydou Keita, que durante a semana fez um apelo pela paz em seu país, melhorou na segunda parte da etapa inicial, mas a defesa marfinense se manteve firme - ainda não levou gols no torneio. Gervinho, em bela arrancada pela esquerda, aproveitou-se do vacilo da defesa e fez 1 a 0.
No segundo tempo, o cansaço pesou para os malineses, depois de uma prorrogação desgastante no último domingo.
Drogba e seus companheiros irão como favoritos à final de domingo, mas cientes de que muitos resultados, desde as eliminatórias, fugiram do normal. O técnico François Zahoui tem sido recompensado pela boa organização do time, que obedece cegamente às suas ordens táticas.
Zâmbia não chegava a uma final desde 1994 - quando fez um verdadeiro milagre ao chegar tão longe depois da morte de seus heróis. A sensação no país é de que um eventual título no domingo seria, sobretudo, uma homenagem àqueles que desapareceram no mar do Gabão há 19 anos.
Na Inglaterra, porém, a importância do capitão é levada a níveis exagerados, a ponto de gerar crises difíceis de contornar. O caso que explodiu nesta semana envolvendo John Terry pode até levar à saída do técnico Fabio Capello antes da Eurocopa. Um tumulto que ameaça minar mais uma vez o ambiente no English Team antes de uma competição.
Terry é acusado de fazer ofensa racista a Anton Ferdinand, zagueiro do Queens Park Rangers e irmão de Rio Ferdinand, companheiro do defensor do Chelsea na seleção. Porém, diferentemente do caso envolvendo Patrice Evra e Luis Suárez, julgado na esfera desportiva (o uruguaio pegou oito jogos de gancho), no incidente com Terry a questão foi dirigida à justiça comum.
Sendo assim, com o processo judicial em andamento, a federação inglesa (FA) não pode julgar o caso. Terry se declarou inocente na audiência da última semana, e o julgamento foi marcado para o dia 9 de julho - ou seja, depois da Eurocopa. Diante desta informação, a FA decidiu tirar do zagueiro o posto de capitão.
Foi uma decisão administrativa da federação e contrária à vontade de Capello, que fez questão de criticá-la publicamente. Em entrevista à RAI, o treinador afirmou que, por considerar Terry inocente até o julgamento, não acha correto alijá-lo da função.
A decisão sobre o capitão deveria, de fato, caber unicamente ao treinador. No entanto, casos de racismo têm sido tratados com máximo cuidado na Inglaterra, especialmente depois da bobagem dita por Joseph Blatter minimizando a existência de atos discriminatórios nos estádios.
Perder a faixa de capitão é, neste contexto, uma pena "leve". Se fosse julgado e condenado antes da Eurocopa, seria provável que Terry nem fosse ao torneio.
Vale lembrar que Capello tirou de Terry a faixa de capitão antes da Copa do Mundo de 2010 quando veio a público seu relacionamento íntimo com a ex-namorada do lateral Wayne Bridge. Passado o Mundial, resolveu devolver a ele o posto - o que, olhando em perspectiva, parece um grande erro.
Na hierarquia capelliana, um caso amoroso é suficiente para tirar o capitão de seu posto, mas responder a um processo por racismo contra um colega de profissão e irmão de um companheiro de time não é.
Amplamente favorável à decisão da FA, a imprensa inglesa tem dito inclusive que as declarações de Capello representam uma violação de cláusulas contratuais, o que permitiria à federação demiti-lo sem arcar com a multa milionária.
Com Capello e Terry juntos, o ambiente da seleção inglesa será uma bomba-relógio. Como reagirá o novo capitão, sabendo que está lá por imposição e não por escolha do técnico? Rio Ferdinand, compreensivelmente, já disse não ter interesse na faixa. E mais: qual será a postura dos jogadores negros do elenco?
Uma eventual saída de Capello seria uma revolução em cima da hora, também um cenário longe do ideal. Qual seria o nome escolhido? Escolher um nome atualmente empregado não impediria que este profissional terminasse a temporada em seu clube antes de ficar de vez com a seleção. Harry Redknapp, nome cotado para o pós-Capello, seria uma alternativa.
Por mais que tenha sido uma questão mal conduzida por todas as partes envolvidas, é impensável que um debate sobre a faixa de capitão cause tamanha celeuma pelos lados de cá. Aliás, quem é o capitão da Seleção Brasileira mesmo? Melhor nem saber...
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- 01h45
- 06Feb
Filho de um ex-capitão da seleção, Aubameyang era o grande nome do torneio até sua cobrança ser defendida no canto esquerdo pelo goleiro do Mali, Soumailia Diakité, neste domingo. O jogador do Saint-Etienne, de apenas 22 anos, havia participado de seis dos sete gols do Gabão no torneio, incluindo o de Mouloungui que abriu o placar em Libreville.
Aubameyang também lamentará a bola que caprichosamente bateu na trave no primeiro tempo, quando os donos da casa se recuperaram de um início complicado para terminar dominando. Na segunda etapa, já com o placar em 1 a 0, o veterano Cousin também acertou o poste, na melhor chance de matar o jogo.
Alain Giresse, técnico do Mali, jogou por nove anos no Bordeaux com Gernot Rohr, treinador do Gabão. E Rohr assumiu o atual cargo justamente na vaga do francês, que não conseguiu levar os gaboneses além da fase de grupos em 2010. Giresse aumentou o potencial ofensivo do Mali com substituições que empurraram para trás o Gabão, que sofria com a demora no passar do tempo.
Justamente um dos reservas malineses, Cheick Diabaté, marcou o gol de empate a nove minutos do fim do tempo normal. O Gabão nunca se recuperou do choque, e a prorrogação mostrou que as duas equipes estavam mais satisfeitas em deixar a decisão para os pênaltis do que se arriscar a vencer o jogo.
Aubameyang foi o único dos dez cobradores a errar. No final, quando Seydou Keita selou a vitória do Mali, o atacante caiu no choro e permaneceu inconsolável até deixar o gramado - sob aplausos que romperam o silêncio generalizado.
Apesar de o Gabão ter perdido a chance de disputar uma inédita semifinal por causa do erro, a torcida não deixará de reconhecer o atacante como o grande nome desta seleção.
O outro jogo do domingo também foi decidido além dos 90 minutos. Gana venceu a Tunísia por 2 a 1, na prorrogação, graças à incrível falha do goleiro Mathlouthi. Em um cruzamento banal, daqueles que o goleiro costuma agarrar sem esforço, ele deixou a bola escapar nos pés de André Ayew, que agradeceu o presente.
No tempo normal, jogo duro como se imaginava. John Mensah, de volta ao time titular de Gana, fez 1 a 0 com seu segundo gol no torneio, mas Khalifa empatou ainda antes do intervalo. No tempo extra, depois do erro crucial de Mathlouthi, os tunisianos perderam a cabeça. Abdennour foi expulso por uma cotovelada, e outros poderiam ter ido junto se a arbitragem fosse mais rígida.
Com a eliminação da Tunísia, campeã de 2004, é decretado o fim do período de domínio das seleções do norte da África - as três últimas edições foram vencidas pelo Egito.
Zâmbia, adversária de Gana, e Mali, que enfrenta a Costa do Marfim, são os obstáculos para a final mais aguardada desde o sorteio das chaves da CAN. Apontadas como favoritas, Gana e Costa do Marfim nem sempre jogaram um futebol à altura da responsabilidade que carregam, mas certamente são as mais fortes do torneio. Encontro marcado para quarta-feira.
Emmanuel Danilo Clementino da Silva, natural de Caruaru, foi um dos sete brasileiros naturalizados para defender Guiné Equatorial entre 2005 e 2007, na época em que Antônio Dumas dirigiu a seleção. Entre eles, jogadores como o atacante André Neles, mais conhecido como André "Balada", e o lateral Daniel Martins, ex-Ponte Preta, Corinthians e Palmeiras. Enquanto outros tiveram passagens fugazes, Danilo continuou nos planos, enquanto rodava por clubes do Nordeste.
Embora jogadores naturalizados de outros países também façam parte da seleção, Guiné Equatorial optou para esta edição da CAN por também buscar jogadores de divisões inferiores da Espanha, mas qualificados para representar o país por laços sanguíneos. Sob o comando do técnico Gílson Paulo, surpreenderam na primeira fase e alcançaram as quartas-de-final, vencendo a Líbia e, inesperadamente, o Senegal.
A defesa de Danilo, com meia hora de jogo, foi o momento de delírio no estádio de Malabo, que a minutos do pontapé inicial ainda não estava cheio. Muitos torcedores deixaram para chegar em cima da hora e, como resultado, vários assistiram ao jogo dos corredores, sem procurar assentos.
Drogba, porém, levou apenas sete minutos para se redimir, aproveitando uma terrível falha do zagueiro Rui. Como fizeram durante toda a primeira fase, os Elefantes optaram pelo pragmatismo e só forçaram a barra quando julgaram necessário, contra adversários que pareciam impressionados e de certa forma conformados com a façanha que já tinham alcançado.
O segundo gol, que matou qualquer esperança dos anfitriões, só saiu aos 25 minutos do segundo tempo, com uma bela cabeçada de Drogba - seu terceiro nesta edição e o décimo em todas as participações na CAN. Ainda houve tempo para Yaya Touré marcar um belo gol de falta. As cobranças de bola parada, aliás, têm sido um ponto forte do torneio.
No outro jogo do dia, Zâmbia confirmou seu favoritismo contra o Sudão e fez 3 a 0, voltando a uma semifinal depois de 16 anos. Na última ocasião, em 1996, a seleção ainda contava com Kalusha Bwalya, considerado o jogador mais importante da história do país. Bwalya fez três gols na goleada de 4 a 0 sobre a Itália, nos Jogos Olímpicos de 1988 (veja vídeo abaixo), e não estava no desastre aéreo que praticamente dizimou a seleção em 1993.
O Sudão, que não ia tão longe desde seu único título, em 1970, tentou frear Zâmbia com um esquema defensivo, mas levou um gol antes dos 15 minutos, na cabeçada de Sunzu, e não mostrou poder de reação. No segundo tempo, com um jogador a mais, o time dirigido pelo francês Hervé Renard não teve dificuldade para marcar outras duas vezes, com Chris Katongo, no rebote de um pênalti, e Chamanga.
Zâmbia pode esperar um adversário duro e taticamente bem montado na semifinal de quarta-feira, seja Gana ou Tunísia. A Costa do Marfim sabe da dificuldade que terá caso enfrente um embalado Gabão jogando em casa. Para os Elefantes, seria mais interessante enfrentar Mali.
Leonardo Bertozzi é comentarista de futebol dos canais ESPN e da rádio Estadão/ESPN. Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - Uni-BH - faz parte da equipe desde 2009.
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