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- 15h55
- 20Jan
Jogador de futebol costuma ser profissional?
por Fernando A Fleury, blogueiro do ESPN.com.br
Fanáticos e fanáticas,
Outro dia, se não me engano na quarta-feira, estava ouvindo um programa esportivo numa rádio paulista quando ouvi um dos integrantes comentar sobre a questão da contratação do Montillo pelo Corinthians e a forma que a aproximação do clube com o jogador se deu.
O integrante da bancada defendia que, apesar de reconhecer não ser ético, é natural o clube aliciar primeiro o jogador para que este force sua saída do clube. Devo confessar que tal frase me chamou a atenção.
A conversa continuou e, como todo debate que envolve contratação de jogador, a fatídica frase foi dita: se te oferecem um salario três vezes superior ao que você ganha e um bônus de 10 vezes este salário de luvas você não mudaria de emprego?
Qualquer pessoa em sã consciência mudaria. É fato. Mas na questão do jogador de futebol, pelo modelo do contrato de trabalho, muita coisa deve ser levada em conta.
Trabalhadores que são regidos pela CLT não têm problema algum em mudar de emprego em virtude de uma proposta melhor de trabalho. Porém, o empregador poderá exigir que o profissional cumpra o que está na lei, ou seja, o aviso prévio. Sim, o aviso prévio vale para os dois lados. Normalmente empregado e empregador fazem acordo para que o aviso prévio seja paga em dinheiro (para o funcionário) ou em trabalho (para o empregador).
No caso do jogador de futebol o contrato de trabalho que vigora é regido por clausulas contratuais, ou seja, empregado e empregador assinam um contrato de trabalho onde estipulam vínculo por um período determinado e para que este contrato posso ser quebrado existe um multa que deve ser paga por aquele que não deseja mais cumprir o acordo assinado.

Muitos acham que este modelo é exclusivo do futebol ou do esporte em geral, mas modelos de contratos de trabalho são comumente usados por grandes empresas com executivos em cargos mais elevados ou com profissionais que fazem parte dos planos da empresa.
Assim, por exemplo, se a empresa resolve pagar o MBA de um empregado, que poderá assumir posições futuras importantes dentro da empresa, ela poderá exigir que o empregado assine um acordo onde ele terá que trabalhar na empresa durante ¨x¨ anos após a conclusão do curso. Caso o funcionário receba proposta de uma outra empresa ele deverá ressarcir seu empregador com uma quantia determinada. Neste modelo de contrato nenhuma empresa costuma abrir mão da multa, pois é a forma que a empresa tem de garantir o investimento feito no funcionário.
O futebol, como sempre, costuma se achar acima do bem e do mal, do certo e do errado, e por isso as pessoas possuem o péssimo hábito de achar que as coisas erradas podem e devem ser feitas simplesmente porque outros fazem ou é normal fazer.
O Corinthians tem todo o direito de tentar convencer o jogador a mudar de clube. A oferta de salário e bônus superior ao que o empregador atual paga é legitima e o clube tem seu mérito por poder fazer.
O jogador tem o direito de querer mudar de clube. Seja por uma questão financeira, seja porque o clube irá disputar campeonatos mais importantes ou pelo simples fato de querer mudar.
O Cruzeiro possuí o direito de querer cobrar a multa em seu valor integral e de exigir que o jogador, empregado do clube, cumpra o contrato atual.

Com a suposta desistência dos clubes de São Paulo na contratação do jogador resta saber como o mesmo irá reagir caso não receba seu aumento.
Costumamos exigir profissionalismo dos clubes numa serie de questões. Talvez seja hora de começarmos a exigir profissionalismo dos jogadores também. Até porque não tenho a menor dúvida de que iremos ver muitos casos como este no futebol brasileiro. Culpa de uma mudança na balança financeira, reflexo do novo modelo de direitos de TV, mas isso é assunto para outro post.
por Fernando Fleury
/fernandofleury- 14h42
- 23Jan
Alexandre
Ótimo texto. A situação do Montillo lembra um pouco o interminável "caso Ganso", que já tentou de todas as formas possíveis (e contando com notícias plantadas na imprensa) se desvincular do Santos sem efetuar o pagamento da multa recisória.
- 19h48
- 22Jan
Filipe
Otimo texto e comentarios Fernando, so achei estranho o fato de que em outras noticias tendenciosas apareçam tantos corinthianos e agora quando se aparece um texto bem pautado, esclarecido e logico, com todo sentido, nao aparece ninguem...
- 11h09
- 22Jan
livio
Parabens aos presidentes de cruzeiro e santos por segurarem seus melhores jogadores, que receberam grandes propostas,e mesmo assim manteram a palavra e os craques continuam.
- 23h40
- 21Jan
Marcelo
Fleury, o que eu acho muito desagradável é grande parte da mídia, em especial o portal Lancenet adotar uma postura totalmente parcial com matérias tendenciosas. E para reforçar o que o Cadete disse, o Cruzeiro está arcando já há algum tempo com os altos salários do argentino Farias (ouço falar em 200mil), que chegou a ser afastado pelo Cuca (por "deficiência técnica"), mas como tem contrato com o jogador precisa honrá-lo. Em nenhum momento ouvimos o presidente falar que iria reduzir o salário dele. É preciso respeitar os contratos.
- 16h35
- 21Jan
Fernando Fleury ESPN
Kleberson, Concordo com você com relação a aproximação do jogador. Por isso fiquei surpreso com o comentário na rádio. Não é porque algo é habitual ou usual que é correto... Estamos juntos neste pensamento.
- 16h31
- 21Jan
Fernando Fleury ESPN
Gil, sem dúvida a questão de como o jogador irá reagir caso o seu clube atual não aumente seu salário. O que vc chamou de auto-sabotagem... Por isso que digo que o jogador precisa ser tão profissional quanto o clube. . Abraços
- 21h58
- 20Jan
Kleberson
Belo texto Fleury, mas quero insistir que não é ético vc propor vantagens salariais a um profissional devidamemte contratado se vc não está disposto a arcar com o custo de sua rescisão contratual, ainda q se diga que isto seja usual. Corrupção também é usual em nosso País e não será por isto que deverá ser tolerada, pior ainda defendida por formadores de opinião.
- 18h56
- 20Jan
Ricardo
Difícil acreditar que só agora algum jornalista tenha dado uma opinião tão lúcida e isenta. Um desses outros chegou a chamar o atual presidente do Cruzeiro de banana, tamanha a parcialidade. Concordo com sua opinião. Parabéns pela exposição da idéia.
- 18h04
- 20Jan
André Cadete - Belo Horizonte
Concordo plenamente com tudo que você disse Fleury! E ainda comentei com um amigo meu ontem: Se o Montillo saiu de La U e assinou um contrato imenso até depois de 2014, qual era o objetivo dele em assinar um contrato tão longo? Medo de dar errado, mas mesmo assim conseguir manter seu alto salário no Cruzeiro, comparando com o que ganhava na La U? Com certeza ele pensou nisso ao assinar o contrato, mas agora com uma proposta milionária do Corinthians, ele tem que arcar com as consequências. O Cruzeiro fez a parte dele, apostou no jogador e fez um longo contrato. O Cruzeiro acertou, méritos para o Cruzeiro, que agora tem o direito de colher os frutos. Cabe ao Montillo ser profissional...
- 17h14
- 20Jan
Paulo Neto
Sou Corinthiano, e empresário. Entendo bem o que o texto quer dizer, e concordo totalmente. Paranbéns!
- 16h41
- 20Jan
Fernando Fleury ESPN
Caro Julio BH, Agradeço o comentário. Não creio que exista bons ou maus nesta história. Todos estão, a grosso modo, lutando por aquilo que acreditam e em seu direito máximo. Mas realmente se alguém acha que o Cruzeiro é o mau da história me surpreende. Se a vontade do Montillo sair basta abrir mão das luvos e passar este valor para o Cruzeiro. Isso aumentará a proposto do Corinthians e ficará mais perto do valor pedido. Fora que dará uma demonstração clara de que o jogador quer sair... Mas toda negociação é como um jogo de xadrez.. Vamos aguardar o movimento da próxima peça Abraços
- 16h41
- 20Jan
Gilberto Rossetti
Claro como água. Se o contrato de trabalho é por tempo determinado, como os de jogadores de futebol, há estipulação de multas e penas para rescisão antecipada. Logo, se Montillo quer trocar de clube, que pague o estipulado em contrato ao Cruzeiro e toque sua vida em frente, livre. O Cruzeiro, se estiver cumprindo suas obrigações do contrato, não é obrigado nem pode ser forçado a fazer qualquer concessão a Montillo ou quem quer que seja. Agora resta saber se o Montillo que continua no Cruzeiro vale a pena. A auto-saboatgem dos jogadores profissionais é estratégia antiga nessas situações. O que seria bem diferente no "nosso" mundo. Ou você pagaria mundos e fundos para alguém vir trabalhar para você, se onde essa pessoa está hoje ela não se dedica, não se empenha, falta às obrigações, se desentende com os companheiros, etc. Essa é uma grande diferença do mundo do futebol, e do mundo "real"... belo texto, fleury!
- 16h26
- 20Jan
Julio BH
Finalmente uma voz lúcida neste caso. O Cruzeiro ficou como o "Mau" da história porque não deixou o Montillo fazer fortuna. E olha que ele vai levar uma bela grana com o contrato com o Cruzeiro!
- 11h54
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Fernando Fleury, Professor de Marketing - especializado em Marketing Esportivo, Editor-Executivo do site www.fanaticosporfutebol.com.br, blogueiro e fanático por esporte.