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Retrospectiva radical: brasileiros roubam a cena no circuito mundial de surf
por Maíra Pabst, do EXPN.com.br

Crédito da imagem: Ted Grambeau/Rip Curl
Isso porque os surfistas brasileiros atacaram em time e conseguiram fazer barulho como nunca nos eventos da elite mundial. Começou com Raoni Monteiro, ainda em 2010, vencendo a etapa Prime de Sunset, no Havaí, uma das mais prestigiadas do tour. Em seguida, Alejo Muniz venceu em Noronha, Miguel Pupo dominou o Prime em Trestles ao lado de Jesse Mendes e Thiago Camarão. Logo, Adriano de Souza Mineirinho venceu a etapa brasileira da elite e coroou toda a euforia com a primeira posição no ranking. Essa foi a primeira vez na história que um brasileiro liderou o circuito mundial. Mas entre tantas vitórias surge o nome mais festejado: Gabriel Medina.
Com um surf progressivo, aéreo, mas também de borda, o garoto então com apenas 17 anos (completou 18 no último dia 22) deixou a todos de cabelo em pé. O 'careca' Kelly Slater comentou do alto de sua majestade no twitter que se Medina continuasse vencendo assim, já estaria cansado aos 20 anos. Isso porque Gabriel entrou na elite na rotação do meio do ano e já vencera duas das cinco etapas nas quais competiu.
Uma na França e a outra em São Francisco, nos Estados Unidos. Feito inédito para o Brasil. Mineirinho ainda venceu mais uma, em Portugal, para completar a série de três etapas verde-amarelas consecutivas. O balanço geral foi muito positivo. Das 11 etapas, quatro foram vencidas por brasileiros. No ano que vem teremos novamente sete atletas na elite e, quem sabe, muito mais a comemorar.

Mitchie Brusco voltou o 900 na Megarrampa.Foto: ASP/Kirstin
Também para o skate, 2011 foi definitivamente um ano especial e já começou com o Brasil em alta. Pedro Barros foi incontestável na Nova Zelândia e na Austrália para iniciar o que seria para ele mais uma temporada vitoriosa no circuito mundial de bowl. Bicampeão, Pedrinho vem ditando o ritmo nesta modalidade que parece ter voltado com tudo.
E falando em modalidades em evolução, impossível ignorar o novo cenário do skate street competitivo alavancado pela Street League. Criada em 2010, a liga retornou em 2011 para consolidar seu formato inovador, lotando ginásios, pagando prêmios rechonchudos e trazendo um verdadeiro show de manobras para telespectadores de todo o mundo. E se o ex-rastafari Nyjah Houston foi o grande destaque da temporada, quem acabou vencendo a final da Street League foi o norte- americano Sean Malto.
2011 pode ser considerado um ano de reencontros. Do skate vert com São Paulo, de Digo Menezes com o skate, de um público fanático com seu ídolo maior. Tony Hawk voltou ao Brasil depois de 23 anos. Não é de se espantar que tenha impressionado o público brasileiro. Mas o que dizer do menino até então desconhecido que deixou o mundo do skate boquiaberto ao voltar o lendário 900 de Hawk na Megarrampa de São Paulo? Aos 14 anos de idade, Mitchie Brusco já escreveu seu nome na história do skate.
Jovens e campeões. O circuito de skate street da WCS de 2011 foi dominado por dois brasileiros de pouca idade. No feminino, mais um título mundial para Leticia Bufoni. E no masculino, vitória de Kelvin Hofler logo em seu primeiro ano no circuito. Mas teve também vitória da experiência. Sandro Dias, o Mineirinho, se tornou hexacampeão pela WCS aos 36 anos de idade.


Jed mandando o triple back flip.
O segundo fato foi a morte do australiano Dane Searls, um jovem piloto de 23 anos que ficou conhecido por ser o criador do Giants of Dirt, evento para promover o maior dirt do mundo. A última rampa da sequência que Dane saltou tinha 18 metros de distância! Dane ficou em estado grave em um hospital da Gold Coast por uma semana e faleceu em consequência das lesões causadas por uma queda ao tentar saltar de uma sacada para a piscina durante uma festa.
Mas 2011 foi um ano de expectativas concretizadas, muitas coisas boas rolaram, algumas ruins, mas ainda tivemos um saldo bem positivo no BMX. Um detalhe foi a volta de algumas coisas que eram consideradas fora de "moda", como os bancos altos e largos. Isso mostra que o nome BMX freestyle (estilo livre) é bem adequado. Não existe uma moda a ser seguida, o que vale é ter uma bike adequada para o seu rolê.
MOTOX
Em 2011, pela primeira vez, um FMXer latino-americano conquistou o Mundial de Freestyle Motocross. Traçando uma trajetória singular, Javier Villegas deixou o Chile e fincou base nos Estados Unidos para, anos depois, rumar à Europa e regressar com o título. Mas o homem do ano foi Josh Sheehan, que impôs uma sequência de vitórias no calendário da IFMXF (seis ao total). O australiano entrou no círculo dos X Games, saindo com um bronze no Best Trick. Contudo, o ápice veio em casa. Sydney, ponto da última etapa do Red Bull X-Fighters 2011, presenciou o competidor local vencer a passagem da série pelo país.
Já o desconhecido Mark Monea estarreceu o FMX ao completar o Carry On, a rotação frontal fora de eixo. Alçado aos X Games, caiu numa versão incrementada – no hands – do giro. Porém, graças ao Carry On, Mark Monea fechou esta temporada como o piloto a pousar a manobra mais inovadora em competições.
Infelizmente, em 2011 também tivemos um número elevado de quedas. Diversos pilotos afastaram-se das competições por períodos prolongados. Dura realidade inerente à modalidade, que, infelizmente, tirou a vida de Jim McNeill. Preparando-se para uma apresentação nos Estados Unidos, o talentoso norte-americano de 32 anos nos deixou.

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