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- 15h17
- 13Jul
Mountain Voices online # 120
por Eliseu Frechou

Crédito da imagem: Felipe Dalorto nos psicoblocs de Alagoas.
Acaba de ser atualizado, o site do Informe Brasileiro de Montanhismo e Escalada. Confira o resumo das matérias desta edição no site http://www.mountainvoices.com.br
+ Rio de Janeiro, uma cidade maravilhosa para escalar - InfoFEMERJ;
+ Barrados no baile - André Berezoski;
+ Big wall no Itabira - Oswaldo Baldin;
+ Los Arenales - Fabio Muniz;
+ Salto Ventoso - Emerson "Mémi";
+ Guia de Escaladas da Zona Sul e Ilhas Oceânicas do RJ;
+ Psicobloc em Alagoas - Felipe Dallorto;
+ Trekking em Mamanguá e Joatinga - Alberto Ortenblad.
Confira abaixo, a matéria Internacional da nova colunista Alessandra Arriada, que a partir deste número assume a responsa de filtrar o que acontece pelo mundo da escalada:

Internacional - Mountain Voices # 120
Alessandra Arriada, RS
A escalada como esporte no Brasil e no mundo têm crescido muito. Bem ou mal, com apoio ou não, há patrocinadores, competições, mulheres escalando e o nível dos atletas tem aumentado mais e mais. É uma busca incansável por cadenas, conquistas, graduações mais e mais altas, projetos, metas, ufa....Parece a corrida do ouro. Tudo muito rápido, informações, filmes, fotos, fulano mandou tal vida numa graduação nunca imaginada no planeta, e atualiza no site, blog.
O meio do mato já fica no meio da cidade, a natureza intocável e os lugares remotos já estão cheios de lixo e quem gostava de escalar para fugir das metrópoles buscando autoconhecimento, tranquilidade, silêncio e diversão têm enlouquecido com tamanha mudança. A trilha já está bem marcada, ainda com uma ou outra garrafa plástica, grampo do lado de fenda pra ficar mais fácil, gritarias e animosidades a flor da pele pra ver quem manda melhor e mais rápido a via da vez.
Talvez essa tendência de globalização e rapidez num mundo geração web 2.0 seja esperada mas o fato é que gostando ou não dessa competitividade e animação toda nos perguntamos muitas vezes o que realmente importa em um esporte, paixão, hobby ou estilo de vida:resultados?
conquistas? ser o melhor?
Pensando nisso, um escalador americano criou o que seria uma graduação diferente de escalada. Seria a “fun scale” ou Graduação de Diversão, onde o que importa é como você vai lembrar daquela escalada, como foi o perrengue, o que sentiu e comparada a o quê foi sua diversão. Kelly Cordes, escalador, escritor e “especialista em margaritas” inaugurou a graduação que rapidamente se espalhou em todos os blogs e sites americanos de forma divertida, mostrando que, com exceção e mesmo aqueles que ganham para escalar, o melhor da escalada é realmente o quanto nos sentimos felizes entre as rochas e bons amigos de cordada num domingo de sol.
Kelly e amigos resolveram dividir a escalada em três escalas de graduação depois de uma viagem de escalada para o Alasca daquelas que tudo que poderia dar errado realmente deu e que você pensa: What the hell was I thinking? O famoso “que #@*&2 eu estou fazendo aqui”.
Segundo eles, a escalada tipo I (divertida) seria aquela comparada a boas margaritas, a boa comida ou ao bom sexo. É aquela que você realmente se diverte enquanto está fazendo, e se lembrará sempre quando tiver numa roda de amigos em que você dirá, nossa, lembra aquela vez... (suspiros)
A escalada tipo II também é divertida ou fun, mas só quando você já está no cume, ou em um bar, ou de carro voltando pra casa, lembrando do perrengue que passou, mas que no final foi muito bom e até engraçado, ou no mínimo uma experiência gratificante. Geralmente grandes paredes ou escalada em gelo onde você não come durante dias, não toma banho, guia esticadas de 40m o tempo todo olhando aquela agarra em que você colocará sua proteção e pensando: será que quebra? e no final pensa “até que não foi tão mal, quando faremos uma próxima vez”? Ou com muito otimismo e desapego pensa “fui tudo horrível, mas consegui então tá valendo”.
Já a escalada tipo III é aquela que você não quer nem lembrar. Ou tudo deu errado, ou aquele não era um dia bom ou o lugar era ruim. Ou o seu parceiro um mala. Ou choveu o tempo todo quando o que marcava era sol. Você torce o pé e é picado por um marimbondo ou por vários deles. E é alérgico. Ou todas as anteriores.
E o melhor de tudo isso é que, quando saímos de casa, na maioria das vezes e mesmo com todo o planejamento, não sabemos qual o tipo de escalada que vamos entrar. Não dá exatamente para escolher “quero a tipo IIsup” porque não podemos controlar todos os fatores e todo o divertimento, como tentamos e devemos fazer com os riscos e dificuldades. O lugar pode ser lindo, a via perfeita, e você pode não estar exatamente se divertindo, ou a via ou a escalada pode ser exatamente uma tipo III casca grossa e você conseguir fazer do limão uma limonada, levar o perrengue na maior leveza e terminar o dia feliz da vida. Muita sorte, presença de espírito e controle psicológico, mas vamos lá.
Porque, ao que parece, escalar realmente é isso, como diz a escaladora Mariane van der Steen, da Alemanha, o grau de dificuldade de uma via expressa não só o desafio físico que ela proporciona e sim o quanto ela te exige mentalmente e até o quanto ela demanda de certas características da sua personalidade, determinando se você vai se sair melhor nesta via do que na outra que teoricamente ou pela graduação tradicional é mais fácil. Mariane cita a ‘fun scale’ como a melhor maneira de comparar um tipo de atividade como a escalada que o que mais importa no final das contas é a diversão.
O escritor e escalador Arno Ilgner que recentemente lançou seu livro Lecciones exprés na Espanha sobre o fator psicológico na escalada e ministra cursos de treinamento intensivo em escalada, discute justamente a motivação de escalar como o melhor fator para se tornar um melhor escalador. Aquele que além de se preocupar com os resultados se preocupa em curtir o caminho e desfrutar ao máximo a viagem, sempre aprendendo no processo é o mesmo que consegue com tranquilidade e controle chegar ao seu objetivo mais rápido e com melhor desempenho. E se divertindo muito mais.
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por Eliseu Frechou
/eliseufrechou- 20h50
- 10Aug
MARCO AURELIO
Parabéns Alessandra, esse é realmente o espírito do aventureiro! Curtir sempre! Itatiaia- RJ.
- 23h31
- 14Jul
Henrique Martins
Ale, muito bom o texto e o assunto. A gente devia adotar esse tipo de graduação no Brasil. Parabéns pela belíssima crônica. Já estou na espera da próxima.
- 16h37
- 14Jul
Wilson
Realmente ela tem o dom da escrita..Matéria show de bola, parabéns..
- 13h26
- 14Jul
Beatriz Azevedo
É isso aí Ale, adorei ler tua coluna, leve e muito bem escrita!! Abração!
- 15h58
- 13Jul
Emerson
Salve mestre Eliseu .....grande muito bacana a matéria,,agora teremos atualizações com nossa colega Alessandra...parabéns Memi
- 09h31
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Eliseu Frechou se dedica há 25 anos ao montanhismo. É fundador da Montanhismus, 1ª escola de escalada do Brasil e do Mountain Voices - Informe Brasileiro de Montanhismo e Escalada.
Atleta profissional já escalou algumas das maiores e mais difíceis montanhas do mundo. Colaborador da ESPN-Brasil desde 1999
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